Adnan Nevic, o sérvio de 12 anos eleito como o habitante número seis mil milhões do planeta, veio lamentar que tenha sido esquecido uns dias após o nascimento e denunciou que apesar de ter sido escolhido como um símbolo vive agora com grandes dificuldades em Sarajevo. Em 1999, próprio secretário-geral da ONU, então Kofi Annan, pegou em Nevic ao colo numa cerimónia mediática.
A escolha dos bebés cinco, seis ou sete mil milhões por parte das Nações Unidas tem tido como objectivo subjacente criar algum debate sobre demografia e população em torno destas efemérides.
No entanto, tanto o bebé seis mil milhões como o bebé cinco mil milhões, da Bósnia e Croácia, respectivamente, já acusaram as Nações Unidas de os terem destacado na altura e ignorado ao longo das suas vidas.
Em 1999, quando nasceu Adnan Nevic, o bebé teve até direito a uma visita de Kofi Annan, que na altura se encontrava no país, tendo por isso havido alguma polémica em torno da escolha do bebé, que foi considerada forçada e planeada como forma de reacender a esperança em relação aos conflitos na então Jugoslávia.
Volvidos 12 anos, o rapaz queixa-se numa reportagem do diário Guardi que tudo não passou de um momento registado pelas objectivas e que apenas no sítio onde vive continua a ser uma celebridade.
Fama essa que não foi suficiente para evitar as dificuldades em que vive com a família e para conseguir reunir dinheiro para ajudar o pai nos tratamentos de um cancro. Uma situação semelhante à de Matej Gaspar, o bebé cinco mil milhões, e amigo de Adnan no Facebook.
Ao mesmo jornal, o pai de Adnan explica que na altura viram Kofi Annan quase como “um padrinho” do filho, mas que cedo se desfizeram as expectativas. Adnan não desiste, contudo, dos seus sonhos. História e Geografia são as suas disciplinas favoritas. Por isso, quer viajar e conhecer várias zonas do mundo. Pretende ser piloto de avião, para que a sua profissão lhe permita concretizar os seus objectivos e para poder afastar-se nos subúrbios onde vive, em Visoko, nos arredores de Sarajevo.
A história é contada no mesmo dia em que as Nações Unidas assinalaram simbolicamente o nascimento do bebé sete mil milhões, uma filipina, Danica May Camacho, nascida com 2,5 quilogramas pouco depois da meia-noite em Manila. No entanto, a escolha não é pacífica: Índia e Rússia também reclamam para si o título. Tecnicamente, ninguém sabe ao certo onde nasceu ou nascerá o habitante que assinala mais um degrau de mil milhões na escalada demográfica global.


