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Acusada dos crimes de abuso de confiança e burla qualificada

"Dona Branca" requer instrução do processo para evitar ida a julgamento

28.04.2008 - 10:54 Por Lusa

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Jesuína Neves é acusada pelo MP de ludibriar o BCP em 10 milhões de euros Jesuína Neves é acusada pelo MP de ludibriar o BCP em 10 milhões de euros (Enric Vives-Rubio)
Jesuína Neves, bancária de Valbom, em Gondomar, acusada pelo Ministério Público (MP) de ludibriar o BCP em 10 milhões de euros, requereu a abertura de instrução do processo na tentativa de evitar a ida a julgamento, disse hoje fonte ligada ao caso.

A arguida, de 53 anos, conhecida como a "Dona Branca de Valbom", é acusada dos crimes de abuso de confiança e burla qualificada, ambos na forma continuada, bem como de dissimulação de bens e produtos.

A pedido de Jesuína Neves e do co-arguido João Moreno, o prazo para abertura de instrução do processo foi prorrogado 15 dias, tendo-se iniciado uma nova contagem de 20 dias úteis, para o efeito, a meio deste mês.

Na origem da acusação deste processo, que decorre no Tribunal de Gondomar, está um ilícito financeiro que localmente é equiparado ao que em 1989 determinou a prisão por dez anos de Maria Branca dos Santos, a denominada "banqueira do povo". Ao contrário de Branca dos Santos, Jesuína Neves fazia crer aos depositantes que estavam a confiar o seu dinheiro a um banco e não a um particular.

Segundo o Ministério Público, a arguida conseguia convencer os depositantes a confiar-lhe o dinheiro para uma suposta aplicação bancária sem riscos e com juros superiores aos habituais. O seu objectivo era facilitado por ter acesso ao sistema informático do Banco Comercial Português e beneficiar da confiança de outros funcionários.

Em 2002, começaram os primeiros incumprimentos na restituição de dinheiros depositados ou na restituição de juros. Um ano depois foi detida pela Polícia Judiciária, tal como João Moreno, co-arguido no processo.

De acordo com a acusação, entre 1997 e 2002, a arguida desviou dinheiro de clientes da agência do BCP de Valbom para a sua própria conta, para a de João Moreno e para a de uma empresa do co-arguido.

Os alegados crimes foram perpetrados depois de se terem gorado as tentativas de João Moreno para obter crédito bancário destinado a adquirir as quotas da empresa de produtos farmacêuticos Farlab, adianta o MP. A arguida sugeriu então que João Moreno solicitasse o empréstimo de 77 mil euros à Caixa Geral de Depósitos, na forma de conta caucionada. A caução era o saldo da própria Jesuína Neves naquela instituição bancária, que a dada altura se tornou insuficiente para cobrir o "constante reforço de tesouraria" de que João Moreno necessitava.

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