Dois pacientes que ficaram cegos são angolanos e receberam visita de embaixador

30.07.2009 - 14:40 Por Lusa
Dois angolanos, que estão entre os seis doentes que ficaram cegos devido a um tratamento oftalmológico no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, receberam hoje a visita do embaixador de Angola, José Marcos Barrica.
"Há dois pacientes angolanos, uma senhora e um senhor, que viemos visitar e trazer a nossa solidariedade neste momento difícil", declarou o embaixador. José Marcos Barrica indicou ainda que foi "ao hospital para colher informações mais substanciais da equipa médica, para entender o que possa ter acontecido".
Segundo o diplomata - que foi acompanhado na visita pelo director clínico do hospital, Correia da Cunha -, um dos pacientes já apresenta melhoras no seu estado clínico. "A senhora Maria das Dores Monteiro está animada, isto é muito bom, já apresenta sinais que são um bom indício de que a recuperação está a acontecer. Entretanto, o senhor Valter Bom ainda não chegou a este momento, mas estamos crentes que poderá acontecer. Esta é a nossa fé e esperança", referiu ainda Barrica.
Questionado sobre a possibilidade dos pacientes serem transferidos para outro país a fim de procurar outros tratamentos, o diplomata respondeu que "estão em boas mãos, estão a ser bem tratados" no Hospital de Santa Maria. "A equipa médica garantiu que está fazer tudo ao seu alcance para que a recuperação seja breve e nós estamos com esperança que, ouvindo a história destas pessoas, sobretudo da senhora Maria da Dores, a recuperação seja plena", estimou José Marcos Barrica.
Os dois pacientes angolanos vivem em Portugal há muitos anos. Seis doentes ficaram cegos depois de terem sido operados devido a uma degeneração macular associada à idade, a 17 de Julho, pela mesma equipa, no serviço de Oftalmologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Terça-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa abriu um inquérito-crime sobre este caso que levou à cegueira de seis pacientes no Hospital de Santa Maria.
A instauração deste processo pretende apurar a existência de um eventual crime de erro em intervenções e tratamentos médicos e/ou crimes de corrupção de substâncias médicas. Além da investigação determinada pelo DIAP, estão em curso outras duas investigações ao caso: uma da responsabilidade da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), para verificar em termos laboratoriais o medicamento (Avastin) aplicado aos doentes, e outra da iniciativa da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), para apurar o que realmente se passou relativamente a este caso.

