Doentes que cegaram no Santa Maria estão a ser ouvidos por comissão de acompanhamento

16.09.2009 - 12:28 Por Lusa
Os seis doentes que ficaram cegos após terem sido submetidos a uma intervenção cirúrgica no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, estão a ser ouvidos desde ontem pela comissão de acompanhamento criada para avaliar os danos causados pela operação e decidir a indemnização que será atribuída aos pacientes.
As primeiras audições tiveram início ontem e terminam hoje, disse à agência Lusa o presidente da comissão, o juiz-desembargador Eurico Reis, escusando-se a adiantar mais pormenores sobre o teor das reuniões e remetendo esclarecimentos para quando o processo das audições estiver concluído. Inicialmente, estava previsto que as audições começassem hoje, mas, uma vez que os doentes tinham consulta ontem, Eurico Reis acedeu ouvi-los logo nesse dia.
Américo Palhota, que esteve internado 40 dias no Hospital de Santa Maria na sequência da intervenção oftalmológica ocorrida a 17 de Julho, foi um dos doentes já ouvidos pela comissão. Em declarações à Lusa, Américo Palhota, que ficou cego da vista esquerda, disse que nada ficou resolvido na reunião, mas manifestou confiança no juiz-desembargador. "Pareceu-me extremamente honesto e humano", comentou. O doente adiantou que irá reunir-se novamente com a comissão na próxima terça-feira, onde irá expor o seu caso e contar tudo o que se passou desde que foi hospitalizado.
Na reunião, não foi abordada a questão da indemnização, mas Américo Palhota reiterou: "A minha vista não sei quanto vale, porque os meus olhos não têm preço." Sobre o seu estado de saúde, afirmou: "Estou na mesma. Nós estamos todos cegos e não há hipótese nenhuma de recuperarmos. Já perdi a esperança."
Internado quase há dois meses e cego dos dois olhos, Walter Bom também foi ouvido ontem por Eurico Reis. "Nada está resolvido, ainda é muito cedo", disse à Lusa o doente, que também começa a perder a esperança de voltar a ver.
Walter Bom adiantou que na reunião não se falou sobre indemnizações e que apenas explicou o que lhe aconteceu desde 17 de Julho, dia em que foi operado e deixou de ver. Desde esse dia, o doente não sentiu melhoras nenhumas a nível da visão e ainda não há previsão de quando terá alta hospitalar.
A comissão é composta também pelo padre Victor Feytor Pinto, coordenador nacional da Pastoral da Saúde; Paula Lobato Faria, da Escola Nacional de Saúde Pública e especialista em Direito da Saúde; Duarte Nuno Vieira, presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal; e Florindo Esperancinha, presidente do Colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos.

