Reacção ao estudo comparativo entre tabaco e álcool

Director-geral da Saúde admite que não há médicos para consultas anti-tabágicas nos centros de saúde

18.09.2008 - 16:33 Por Lusa

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Francisco George diz que que um dos erros da lei do tabaco é prever consultas para deixar de fumar em todos os centros de saúde Francisco George diz que que um dos erros da lei do tabaco é prever consultas para deixar de fumar em todos os centros de saúde ()
Francisco George anunciou que vai apresentar alteração da lei do tabaco e os especialistas alertam para os perigos de exposição das crianças ao fumo.

O director-geral da Saúde, Francisco George, já reagiu às conclusões do estudo apresentado hoje pelo economista Miguel Gouveia que compara os danos causados pelo tabaco e pelo álcool em Portugal, revelando que o tabaco mata três vezes mais do que o álcool. Em declarações à Lusa, Francisco George admitiu que um dos erros da lei do tabaco é prever consultas para deixar de fumar em todos os centros de saúde, porque "não há médicos especialistas" nessa área. O responsável que assistiu à apresentação do trabalho comparativo informou que a seu tempo irá propor a alteração da lei porque todos os médicos devem saber se os seus pacientes fumam e aconselhá-los a deixar o tabaco. Para o director-geral da Saúde, devem existir consultas de especialidade e de referência dirigidas a fumadores com grandes consumos e para grávidas.

Francisco George referiu ainda que a lei será avaliada dentro de cerca de dois anos e meio, como prevê o próprio quadro legal, com base na recolha e análise de vários dados estatísticos feitas através do sistema Infotabaco. "Podemos depois aligeirar ou apertar a lei. Haverá uma proposta de alterações com base no estudo do Infotabaco", afirmou.

Por seu lado, o coordenador da Missão de Reforma para os Cuidados Primários, Luís Pisco, referiu que tem havido alguma capacidade de resposta nos centros de Saúde e unidades de Saúde Familiar. "Ainda não é o que desejávamos, mas estamos no caminho certo", resumiu.

Outra questão relacionada com a aplicação da lei é a possibilidade de aumentar a fiscalização, uma vez que foram "detectados alguns casos" de estabelecimentos com equipamentos não adequados para espaços de fumadores, acrescentou Francisco George. Questionado sobre a possibilidade de comparticipação de medicamentos, o director-geral referiu não haver qualquer propostas nesse sentido e que pessoalmente defende que o deixar de fumar é "um ganho imediato em poucos dias".

Reconheceu haver uma corrente de médicos que defende a comparticipação, que não pode ser ignorada, mas que "não há qualquer proposta concreta" nesse sentido.

Filhos de fumadores podem consumir dois cigarros por dia

Os filhos de pais fumadores podem consumir até dois cigarros diários sob a forma de fumo passivo, alertou o director-geral de Saúde, Francisco George. Com base num estudo comparativo entre tabaco e álcool, um grupo de peritos que constituem o grupo "Portugal sem fumo" referiu a percepção da melhoria significativa do ar ambiental dos locais públicos com a entrada em vigor da lei do tabaco. "Todavia, os serviços pediátricos continuam a tratar um elevado número de crianças com patologias respiratórias associadas ao fumo passivo, reveladoras de que o comportamento social ao nível das famílias em ambiente domiciliário ainda não mudou", alerta o grupo.

Segundo a sua análise, as restrições nos espaços públicos e locais de trabalho e a censura social podem "mesmo levar a um aumento da exposição ao fumo de tabaco nos domicílios e transportes particulares".

Noutro comentário a estes dados, a alta comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, citou um estudo que indica que as crianças têm um nível superior de um composto da nicotina na segundas e terças-feiras, em comparação com quintas e sextas-feiras. Estes dados demonstram a exposição das crianças ao fumo durante o fim-de-semana. Os dois responsáveis sublinharam a necessidade de campanhas de educação e formação, com a alta comissária a sublinhar também a importância de sensibilizar a generalidade dos pais e não só as grávidas.

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Mas há médicos contratados cujos contratos não são renovados

É recorrente esta desculpa da falta de médicos, mas entretanto os jovens especialistas vêem ...

CarLoS

18.09.2008 18:56

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