Direcção Geral de Saúde está a tentar identificar insectos que assolaram a Grande Lisboa

29.05.2006 - 13:12 Por Lusa
A Direcção Geral de Saúde está a tentar identificar o tipo de insecto que desde sexta-feira surgiu em grande número nas zonas costeiras da Grande Lisboa, disse à Lusa o sub-director-geral de Saúde.
José Robalo adiantou que o insecto em causa poderá ser ou não um mosquito mas que "em Portugal não há conhecimento, nos últimos anos, de transmissão de doenças através de mosquitos". "Foi recolhida uma amostra que será agora analisada por biólogos", adiantou.
O Centro Regional de Saúde Pública de Lisboa e Vale do Tejo está a acompanhar a situação da "praga" de insectos desde sexta-feira, responsável pelo abandono das praias por muitos banhistas este fim-de-semana.
José Robalo indicou que os primeiros insectos surgiram em Cascais, estendendo-se a toda a Linha, seguindo-se a zona da Expo, em Lisboa e só no fim-de-semana é que apareceram na Costa de Caparica e na península de Tróia.
Segundo o sub-director geral de Saúde, até estar concluída uma análise concreta o único inconveniente do aparecimento destes insectos será o incómodo causado pelas picadas e eventualmente qualquer reacção alérgica.
Especialistas em Biologia contactados pela Lusa disseram que a existência desta "praga" se deve ao aumento súbito da temperatura nos últimos dias.
Biólogas dos Departamento de Biologia Animal da Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa e no Departamento de Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências da Universidade Nova de Lisboa disseram que o aumento súbito da temperatura faz acelerar o ciclo evolutivo dos animais, fazendo com que eles ecludam mais rapidamente.
A Direcção Geral de Saúde e os especialistas negaram estes insectos sejam originários do Norte de África, hipótese avançada pelo Instituto de Meteorologia. "De África não [vieram]", disse o sub-director-geral de Saúde, acrescentando que "o Algarve não foi sequer atingido por esta praga", o que deveria acontecer caso viesse do continente africano.
A quantidade de insectos detectados levou a um grande número de chamadas telefónicas para o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC), adiantou à Lusa José Robalo. A linha de saúde Pública da Direcção-geral de Saúde não recebeu pedidos de informação, acrescentou.

