Estudo de investigadores norte-americanos

Dieta pobre em gorduras terá poucos efeitos na redução do risco de cancro

08.02.2006 - 11:10 Por Reuters, AP

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As amêndoas e outros frutos secos contêm gorduras saudáveis As amêndoas e outros frutos secos contêm gorduras saudáveis (DR)
Um estudo de investigadores norte-americanos, que acompanharam ao longo de oito anos 49 mil mulheres, concluiu que as mulheres que fizeram uma dieta pobre em gorduras e rica em frutas e legumes ficaram mais saudáveis mas não reduziram o risco de cancro do cólon, da mama ou de doenças cardiovasculares.

O estudo, publicado hoje na revista da associação de médicos norte-americanos, o "Journal of the American Medical Association" (JAMA), reflecte o uso de uma dieta rica em frutos, cereais e legumes, numa população de milhares de mulheres obesas e que já tinham passado pela menopausa.

Os peritos que não participaram no estudo consideram que esta investigação, financiada pelo Governo norte-americano, é o mais completo até à data.

Das 49 mil mulheres em observação, com idades entre os 50 e os 79 anos, 20 mil foram aconselhadas a reduzir a gordura nos seus regimes alimentares e a comer pelo menos cinco doses de frutas e legumes diariamente, ou seis ou mais porções de cereais por dia. Acompanhadas durante cerca de oito anos, não atingiram o objectivo de reduzir para 20 por cento a percentagem de gordura no total de calorias ingeridas diariamente, quando a porção diária para as restantes 19 mil mulheres era de 37 por cento. O grupo de 20 mil mulheres consumiu, em média, 29 por cento de gordura por dia.

Os resultados mostraram que as mulheres num regime mais saudável sofreram menos nove por cento de casos de cancro da mama (um resultado considerado estatisticamente insignificante) e apresentavam menos 15 por cento de uma forma de estrogéneo que aumenta o risco do cancro da mama. No mesmo grupo, apresentavam menos nove por cento de polipos, afecções do intestino que podem anteceder o cancro do intestino.

"É importante lembrar que o cancro muitas vezes leva décadas a desenvolver-se, e podemos apenas estar a ver as fases iniciais do impacto de uma intervenção de regime baixo em gordura no risco de cancro do cólon e do recto e noutras doenças", acautelou uma das autoras do estudo, Shirley Beresford, do Fred Hutchinson Cancer Research Center de Seattle.

Quanto ao impacto de uma melhor dieta nos indicadores sobre a doença cardíaca, os resultados foram mistos. Por um lado, ambos os grupos de mulheres apresentavam níveis semelhantes de bom colesterol, triglicéridos, glucose e insulina. Mas os níveis do mau colesterol baixaram apenas ligeiramente em ambos os grupos.

O presidente da Associação Americana do Coração alertou, em reacção aos resultados, que a dieta é apenas um elemento de "um programa integrado de estilo de vida" que deveria também incluir exercício físico. "Não é provável que apenas mudar para alimentos pobres em gordura produza grandes benefícios de saúde para a maioria das mulheres. Em vez de tentar comer alimentos pobres em gordura, as mulheres devem centrar-se na redução de gorduras saturadas", acrescentou Marcia Stefanick, do Stanford Prevention Research Center, responsável pela supervisão do estudo.

O estudo, que custou 415 milhões de dólares, deixou algumas brechas para interpretação. Os investigadores deixam entrever que as mulheres poderão ter começado a comer de forma saudável tarde demais, e que também não reduziram a gordura no seu regime até aos níveis desejados, o que fez com que a maioria tivesse permanecido obesa.

A conclusão mais geral do estudo, que parece indicar que um regime mais saudável não afasta a possibilidade de contrair doenças, fez surgir também críticas entre os peritos, que temem que estas ideias possam ser mal-interpretadas e aproveitadas por algumas pessoas como desculpa para comerem tudo o que quiserem. Outro aspecto assinalado nos editorais do JAMA que acompanham o estudo, é o facto de não terem sido discriminadas que gorduras deviam ter sido cortadas, pelo que as participantes abdicaram de gorduras polinsaturadas como as que estão presentes no peixe e nos frutos secos.


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Estudo muito incompleto, medicamente irrelevante mas muito perigoso...

Se interpretado de um modo linear, sem considerar aspectos importantíssimos das pessoas incluidas ...

Dr. Meireles Brandao - www.Healthcare-mb.com

11.02.2006 13:07

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