O director-geral da Saúde reconheceu hoje que a Linha Saúde 24 apresenta uma taxa de eficácia inferior ao desejável desde 5 de Julho, quando foi detectado um surto de gripe A (H1N1) numa escola em Benfica, Lisboa.
Francisco George, que falava aos deputados na Assembleia da República (AR), no âmbito do Grupo de Acompanhamento da Gripe, explicou que até 5 de Julho a Linha Saúde 24 apresentava uma resposta "confortável", respeitando o objectivo de assegurar a resposta a 85 por cento das chamadas recebidas. Este respeito pelas condições contratuais firmadas ente o Ministério da Saúde e a empresa privada que gere o serviço terão estado na origem da renovação do contrato a 25 de Maio.
O esclarecimento de Francisco George surgiu após várias questões levantadas pelos deputados que inquiriram o director-geral da Saúde das razões por que o contrato com a empresa não foi rescindido, uma vez que o mesmo não está a ser cumprido, como recentemente assumiu a ministra da Saúde, Ana Jorge.
O director-geral da Saúde corroborou as queixas de Ana Jorge e exemplificou com um dia em que, das 9490 tentativas de atendimento, só 2815 obtiveram resposta, ou seja, uma taxa de abandono perto dos 39 por cento e muito superior aos 15 por cento previstos no contrato. Para Francisco George, isto significa que o "interesse da população não foi respeitado desde 5 de Julho", razão que levou a tutela a exigir medidas que melhorassem o funcionamento deste serviço, apontado como a primeira resposta à gripe A (H1N1).
Francisco George adiantou que ficou acordado com a empresa um conjunto de melhorias neste atendimento telefónico e que a Direcção-Geral da Saúde recebeu garantias de que no final de Agosto, numa primeira etapa, e a partir da segunda semana de Setembro, numa segunda fase, serão garantidas as condições para uma taxa de eficácia satisfatória.
O responsável manifestou ainda confiança no funcionamento, para breve, de outra unidade de atendimento telefónico dedicada à gripe A e que será assegurada por enfermeiros que trabalharão em instalações na cidade de Coimbra, além daqueles que já asseguram este serviço em Lisboa e no Porto. Francisco George disse que a empresa se comprometeu a pôr em funcionamento as estruturas deste call-center em seis dias e que o mesmo irá permitir uma resposta a milhares de atendimentos diários.
Com estes esclarecimentos, Francisco George contrariou a sugestão apresentada pelos deputados do PCP e BE de passar a Linha Saúde 24 para o Serviço Nacional de Saúde, proposta com a qual não concordam os deputados do CDS, PS e PSD. Com excepção da deputada do PS no grupo de trabalho, todos os outros representantes dos partidos com assento parlamentar lamentaram e criticaram que a esta primeira reunião do Grupo tenha faltado a ministra da Saúde, Ana Jorge.


