Dezassete praias foram interditadas esta época balnear, o dobro das do ano passado

12.08.2008 - 08:38 Por Catarina Gomes
A qualidade da água foi quase o único motivo por detrás da interdição a banhos de 17 praias marítimas e fluviais desde o início da época balnear (Junho), quase o dobro das do ano passado (nove). Vários "acidentes" justificaram este cenário, mas há "casos crónicos" de falta de tratamento de esgotos domésticos que se repetem ano após ano, sublinha Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Quercus que hoje torna esta informação pública em comunicado.
Cabe ao Instituto da Água analisar periodicamente a qualidade das águas das zonas balneares do país - existem 519 entre praias marítimas e fluviais - e o que a Quercus fez foi analisar 3150 boletins de análises entre a terceira semana de Maio (uma quinzena antes da época balnear) e a primeira de Agosto.
Na passada sexta-feira estavam interditadas oito praias, mas isso já tinha acontecido a outras nove em algum momento durante aquele período (num dos casos o motivo foram obras). Na mesma altura do ano passado apenas nove tinham sido interditadas, sete desde o início da época balnear e duas por um período limitado de tempo. A interdição dá-se quando a qualidade de água põe em perigo a saúde pública. Os banhistas mais ousados podem ser multados pela polícia marítima.
Francisco Ferreira assinala vários dos "acidentes" que este ano mancharam o Verão. Na praia dos Olhos d'Água (Albufeira) houve descarga de esgotos para o mar por avaria no sistema de tratamento, em São Rafael (Albufeira) e Vilamoura (Loulé) houve avarias em estações elevatórias, em Sines (praias de Morgavel e Vasco da Gama) a interdição ficou a dever-se ao derrame de crude.
Além destes casos, o presidente da Quercus lembra "situações recorrentes, que sistematicamente estão interditas", como é o caso das praias do Arnado e D. Ana em Ponte de Lima, que envolvem "problemas de esgotos domésticos", e também o cenário na foz do Sabor, em Torre de Moncorvo. A este propósito o responsável lembra que a Comissão Europeia tem há vários anos uma queixa pendente contra o Estado português devido à situação de algumas destas praias com problemas - as de Ponte de Lima estão na lista.
A vice-presidente do Instituto da Água, Ana Seixas, nota que são, apesar de tudo, "situações pontuais", se se arrastassem há muito tempo teriam levado à perda de estatuto de zona balnear. A dirigente lembra que a responsabilidade pelo saneamento básico cabe às autarquias e que há novas verbas comunitárias para resolver estes problemas.
No comunicado da Quercus também há boas notícias: das 22 praias que no ano passado foram consideradas más, à excepção das interditas, nenhuma delas teve até agora uma única análise má, assinala Francisco Ferreira. "Um indicador muito positivo de recuperação da qualidade de água." São precisas cinco por cento de análises à água más para a praia merecer essa classificação. Houve também menos praias com pelo menos uma análise má, passou-se das 29 do ano passado para as 15 deste ano. A situação pior é a da ilha Berlenga (ao largo de Peniche), que acumulou já três análises más, devido à incapacidade de tratamento adequado aos efluentes gerados na pequena ilha. A Quercus nota que muitos utentes se queixam de falta de informação sobre qualidade da água ou de dados actualizados à entrada da praia ou em locais visíveis.

