Dezanove militares da GNR que foram transferidos da Brigada de Trânsito (BT) para a Brigada Territorial daquela força de segurança, há três anos, no âmbito de um processo de suspeita de corrupção, exigem agora ao Governo uma indemnização de um milhão de euros pelos danos causados.
De acordo com a rádio TSF, os 19 militares moveram três processos contra o Ministério da Administração Interna e três acções de pedido de indemnização. No total, o valor exigido ao Estado é de um milhão de euros. Em causa estão os danos patrimoniais e morais alegadamente sofridos pelos militares na sequência da sua transferência.
Em Novembro de 2002, um grupo de 150 elementos da BT foi transferido para a força territorial da GNR. O então comandante da BT da GNR, general Alfredo Assunção, justificou que os homens não tinham perfil para desempenharem as funções que lhes estavam destinadas.
Um ano mais tarde, no dia 18 de Novembro de 2003, o Ministério da Administração Interna ordenou a reintegração de 29 desses 150 militares na Brigada de Trânsito, o que motivou o pedido de demissão de Alfredo Assunção, bem como o do segundo comandante, coronel Alves Martins. A decisão da tutela foi tomada com base numa auditoria jurídica, que determinou que os argumentos dos comandantes da BT não estavam devidamente fundamentados.
De acordo com a mesma rádio, o Ministério da Administração Interna actual ainda não tem conhecimento oficial deste pedido de indemnização.
Associação de sargentos considera que pedido de indemnização "é justo"
José O'Neill, da Associação de Sargentos da Guarda Nacional Republicana, considera que o pedido de indemnização dos militares da GNR "é justo". "Foi posto em causa o bom-nome deles. Não só o deles como o das famílias, da própria Brigada de Trânsito, da própria Guarda Nacional Republicana", considera.
Para José O'Neill, a fundamentação do pedido dos 19 militares "é muito justa" porque conclui que "quando não há provas concretas, e quando não se consegue chegar à razão do porquê de eles terem sido expulsos, houve, com certeza, outras coisas por trás. Nós, conhecendo a Guarda como conhecemos, sabemos que temos superiores hierárquicos que avaliam as pessoas não pelo valor do profissonal mas sim pela pessoa em si."


