Adeus, 2010; olá, ano de crise mais do que anunciada. Três especialistas, de áreas tão diferentes como a Nutrição e o Exercício, a Psicologia Positiva e a Medicina Sexual, deixam as suas "dicas" para sermos bem-dispostos e aproveitarmos a vida, mesmo num ano que vai ser difícil. Tudo coisas simples, que podem começar literalmente pelos pés, para se acabar com uma cabeça mais feliz.
Conte os passos que dá
1 Depois do bacalhau, do peru, do bolo-rei, das fatias douradas ou das azevias da época natalícia, nada melhor do que começar o novo ano a mexer-se. Pedro Teixeira, professor de Nutrição, Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, sugere que, para entrar em 2011 com o pé direito, compre um pedómetro. E, com este aparelho que mede os passos dados ao longo de 24 horas, que é barato e pode usar-se à cintura por baixo da roupa, aprenda a distinguir os dias sedentários daqueles que são fisicamente activos.
"Dez mil passos por dia é o mínimo que se aconselha. Parece muito, mas não é. Quando passamos o dia sentados, damos três mil passos", explica Pedro Teixeira. "Cinco mil é um dia normal, mas pouco activo. Uma caminhada de 20 minutos é suficiente para ultrapassar os dez mil", acrescenta. "Um pedómetro é um bom instrumento para aumentar a consciência da actividade física que fazemos. Os mais baratos custam oito a dez euros."
Incluir actividade física no dia-a-dia, sublinha, traz bem-estar, boa disposição e vai permitir enfrentar melhor o novo ano. E, além dos benefícios fisiológicos e psicológicos que tem, enquanto a praticamos podemos aproveitar para conviver com outras pessoas, por exemplo passeando na natureza ou à beira-mar. Mais: é gratuito. "É conhecido o potencial do exercício físico para nos acalmar, melhorar o humor - é recomendado a quem tem tendência para se deprimir - e proteger contra o stress. Há muitas pessoas que praticam exercício físico meia hora antes de ir para o trabalho. E resulta mesmo."
Não ter tempo não é desculpa. Basta que olhe para o exemplo de pessoas próximas que fazem desporto ou exercício regularmente, diz Pedro Teixeira, e marcar uma conversa com elas para ouvir as suas experiências. "Há pessoas que acham que não gostam; o desporto e o exercício estão longe das suas prioridades. E ficam surpreendidas com pessoas muito ocupadas, que conhecem, e não dispensam fazer exercício. Pode ser nadar, correr, jogar ténis, andar de patins, dançar...", diz Pedro Teixeira. "Nelson Mandela não dispensava as caminhadas matinais, porque o faziam sentir-se bem."
Enquanto a psicóloga Helena Marujo enumera, ao telemóvel, as suas "dicas" ao P2, fazemos-lhe notar que está ofegante. "Estou a fazer a minha caminhada diária", esclarece, acrescentando que essa é precisamente uma das indicações para enfrentar este ano. "Mexam-se!" Quando lhe contamos que Pedro Teixeira tinha acabado de referir as caminhadas diárias e a compra de um pedómetro, Helena Marujo, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, quer saber: "E ele falou-lhe nos dez mil passos? Ando aqui com o meu pedómetro. Só vou em 8500. Ainda tenho de andar mais um bocadinho...", revela. "Se queremos aguentar crises pessoais, profissionais, políticas... temos de cuidar de nós. Se estamos deprimidos ou temos momentos mais difíceis, somos beneficiados pelo exercício físico."
Se está irritado, pense ou faça algo positivo
2 Acabados de sair de uma época em que se comeu muito, ter atenção à dieta alimentar é importante, mas não é tudo. A dieta emocional, como diz Helena Marujo, não deve ser descurada.
"Se estivermos muito irritados, se a tensão arterial ou as hormonas de stress na corrente sanguínea aumentaram, quanto mais depressa fizermos alguma coisa que nos provoque emoções positivas, melhor. Os efeitos estudados em laboratório são incríveis. Pode ser dar uma gargalhada, pensar em alguém que amamos, pensar bem de nós próprios, pormo-nos a cantar ou controlar a respiração como forma de gerir as emoções." (Uma respiração lenta e profunda tem o efeito de serenar a tensão, uma vez que oxigena melhor os músculos e relaxa-os). "É incrível a rapidez com que os efeitos fisiológicos das emoções negativas diminuem só pelo facto de fazermos alguma coisa que nos faz sentir bem."


