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Perto de meio milhão de inscrições para primeiras consultas no fim de 2007

Dez especialidades responsáveis por 80 por cento da lista de espera dos hospitais públicos

22.03.2008 - 09:56 Por Alexandra Campos

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Dez especialidades médicas são responsáveis pela esmagadora maioria (quatro quintos) da lista de inscrições para primeiras consultas nos hospitais públicos. O caso da oftalmologia é, de longe, o mais preocupante, com 116 mil inscrições registadas no final de Dezembro passado, de acordo com o último relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) já enviado para o ministério e para as administrações regionais de saúde.
As listas de espera agravaram-se de 2006 para 2007 As listas de espera agravaram-se de 2006 para 2007 (Nélson Garrido (arquivo))

Mas nas especialidades de ortopedia, otorrinolaringologia, dermatologia, cirurgia geral, urologia e ginecologia também há milhares de pessoas a aguardar (ver quadro). No total, são cerca de 474 mil as inscrições para uma primeira consulta de especialidade, quase mais cem mil do que o número apurado no primeiro relatório da IGAS - e que remetia para o primeiro trimestre de 2006.

Divulgado no ano passado, este relatório pioneiro permitiu ter uma ideia aproximada da quantidade de pessoas a aguardar por uma primeira consulta (cerca de 380 mil). Nessa altura, as quatro especialidades que mais pesavam na lista de espera eram a oftalmologia (98 mil inscrições), a otorrinolaringologia (46 mil), a dermatologia (37 mil) e a cirurgia geral (37 mil).

Da segunda vez a inspecção pediu os dados a cada um dos hospitais, obrigando-os a fazer uma recolha e um tratamento mais aprofundado da informação. E os resultados apontam para um aparente agravamento da situação, sobretudo nas especialidades de oftalmologia (mais 18 mil inscrições), ortopedia (mais 15 mil) e, em menor escala, ginecologia (mais sete mil).

Sem surpresa

O agravamento da lista de espera de 2006 para 2007 não surpreende o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, Rui Lourenço, que o atribui sobretudo ao facto de alguns hospitais terem começado recentemente a dispor do registo informático das consultas, um sistema a que as unidades de saúde estão progressivamente a aderir no âmbito da programa da Consulta a Tempo e Horas (os centros de saúde fazem marcações nos hospitais por via electrónica).

O médico estabelece mesmo um paralelo com o processo seguido com a lista de espera para cirurgias - em que foi necessário algum tempo até se ter um sistema com informação sobre inscritos e tempos de espera.

Mas isto é fundamental porque o problema das primeiras consultas é o principal constrangimento no acesso ao Serviço Nacional de Saúde. Rui Lourenço lembra, a propósito, que o último Inquérito Nacional de Saúde concluía que cerca de metade das consultas da especialidade eram feitas no sector privado (rácios de 60/40 ou de 50/50, consoante as regiões), enquanto na área da medicina familiar 80 por cento das consultas eram asseguradas pelo sector público.

Na ARS do Norte, Fernando Araújo continua a achar que os últimos dados apurados pela IGAS estão “inflacionados”. “Há pessoas que já resolveram o seu problema, outras estarão inscritas em mais do que um hospital”, aventa, notando que as primeiras consultas têm aumentado (são mais dois milhões por ano).

Apesar de admitir também que estes números possam pecar por excesso, o presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, António Branco, acredita que o avanço foi grande: passou-se do desconhecimento total da situação para uma fase já bem mais próxima do cenário real. E lembra que as dificuldades no acesso a primeiras consultas podem ter consequências “potencialmente mais perigosas do que a espera por uma cirurgia”. Uma consulta “não pode esperar mais do que umas semanas”, defende.

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João Semana está morto

Caro Anónimo, de Lisboa (24/03, 12h10m). Estou muito bem informado, acredite-me. Em todo o caso, ...

...

24.03.2008 14:07