Detenções subiram mais de 120 por cento na GNR e 37 por cento na Polícia Judiciária

07.08.2009 - 08:32 Por Mariana Oliveira
Mais 8800 detenções. É este o aumento que a GNR verificou no primeiro semestre do ano. Entre Janeiro e o final de Junho foram detidas 16.093 pessoas, contra as 7.246 que a força prendeu no mesmo período do ano anterior. Na Polícia Judiciária (PJ), responsável pelos crimes mais graves, também se verificou uma subida: mais 37 por cento.
O aumento das detenções é uma das faces mais visíveis da nova estratégia de combate à criminalidade, um ano após o assalto à dependência de Campolide do Banco Espírito Santo, em Lisboa. Este roubo, que envolveu o rapto de dois funcionários, foi o primeiro sinal de uma onda de crimes graves que assolou o país no Verão passado.
Assaltos, roubos e agressões abriram muitos telejornais. E não por acaso. Em Julho, Agosto e Setembro de 2008, a PSP contabilizou numa subida de mais de oito mil crimes. O furto a residências ocupou o primeiro lugar do ranking, com um crescimento de 63,1 por cento. Seguiu-se o furto no interior de veículos, que aumentou 26,5 por cento, e o roubo por esticão, com uma subida de quase 18 por cento.
Desde então, na Polícia Judiciária, das 789 detenções no primeiro semestre do ano passado passou-se para 1083 este ano. E quase metade dos detidos ficou em prisão preventiva, mais 43 por cento face aos primeiros seis meses de 2008.
Uma nova estratégia
"Grande parte destas detenções só podem ser feitas em flagrante delito, o que significa que a GNR tem estado mais presente nos locais onde existe mais criminalidade", avalia o major Henrique Armindo, porta-voz da GNR. Por outro lado, o militar salienta a melhor articulação entre as várias forças de segurança, que atribui em grande parte ao trabalho do novo secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, em funções desde o final de 2008. O militar recusa que o aumento de detenções reflicta uma subida do crime. "A criminalidade global não está superior à do ano passado", alega.
A PSP recusou-se a adiantar os números - só fez sair dados relativos à operação Verão Seguro 2009, em curso desde 26 de Junho, e que já levou à detenção de 1045 pessoas -, invocando que eles serão apresentados pelo Gabinete Coordenador de Segurança (GCS), o mesmo motivo apresentado pela PJ. Contudo, o PÚBLICO apurou os números relativos a esta última polícia, tendo-os comparado com os dados do último relatório de segurança interna. O GCS adianta apenas tendências.
"O furto a residências desceu na zona de acção da PSP e teve uma ligeira subida na da GNR, que deve abarcar essencialmente segundas habitações", diz Vítor Fernandes, uma dos responsáveis do gabinete. O furto de veículos desceu e Vítor Fernandes acredita que este Verão não terá nada a ver com o do ano passado. "Nesta altura, a curva já estava a subir", adianta.
Muitas medidas foram adoptadas durante e mesmo depois do pico de violência em 2008. Exemplo disso foi a criação das unidades especiais de combate ao crime violento no Ministério Público. Anunciadas em fim de Agosto pelo procurador-geral da República, Pinto Monteiro, tem-se ouvido falar pouco nelas. A única que tem trabalho público é a existente no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, coordenado por Cândida Almeida, responsável por várias operações mediáticas como a que levou à prisão de elementos da claque benfiquista No Name Boys ou a que desmembrou recentemente o chamado "gang do multibanco".
Novidade foi também o facto de muitas destas operações terem sido desenvolvidas pela PSP e pela GNR e não pela PJ, como é comum. Na GNR, que acompanhou a operação do "gang do multibanco", os elementos pertencem à Unidade de Intervenção, que incluiu os grupos de intervenção de ordem pública, de operações especiais, de protecção e socorro e cinotécnico. Recentemente, a GNR destacou para o Norte uma força permanente desta unidade, com 120 homens, para fazer face ao crime.

