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Unidades de cuidados continuados para saúde mental poderão arrancar em 2008

Demências são a principal razão de ida às urgências psiquiátricas de idosos

21.09.2007 - 00:01 Por Catarina Gomes

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As demências (que em cerca de 70 por cento dos casos são Alzheimer) são em Portugal a principal razão de ida às urgências psiquiátricas de pessoas com mais de 65 anos, indicam os últimos números disponíveis. Hoje é Dia Mundial da Pessoa com doença de Alzheimer.
O diagnóstico atempado permite à família preparar formas de cuidar alternadamente do doente O diagnóstico atempado permite à família preparar formas de cuidar alternadamente do doente (Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo))

O principal diagnóstico nas consultas de psiquiatria em utentes idosos é a depressão (27,7 por cento), indica o Censo Psiquiátrico de 2001, os chamados síndromes demenciais ocupam 17 por cento do total. No caso das urgências o quadro inverte-se: as demências são responsáveis por 27,8 por cento das idas às urgências psiquiátricas por idosos e a depressão por 21,6 por cento.

Os números não o surpreendem. O psiquiatra responsável pela Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental, Caldas de Almeida, diz que “há demências que criam crises de agitação aguda que não são manejáveis em casa e a família entra em pânico”. O responsável nota que o problema tenderá a piorar, uma vez que “a prevalência de demências está a aumentar e vai aumentar cada vez mais, mesmo com a melhoria das condições de vida das pessoas”.

Carolina Garrett, neurologista e professora da Faculdade de Medicina do Porto, explica que em pessoas com demência os problemas físicos (por exemplo uma pneumonia, uma infecção urinária) causam grande agitação e o primeiro reflexo dos cuidadores é levar o doente a uma urgência psiquiátrica.

Mas estas são pessoas que já têm diagnóstico da doença. António Leuschner, professor de Psiquiatra do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, nota que a capacidade de diagnóstico ainda está sobretudo concentrada no litoral do país. Nos distritos mais envelhecidos (e logo com maior probabilidade de haver casos de Alzheimer) do interior é onde “proporcionalmente haverá mais necessidades”.

Muitos problemas colocam-se também ao nível da orientação para unidades residenciais que acolham estas pessoas. “É um problema sério. Muitas pessoas vão para lares onde as condições de assistência são diminutas e não atendem à doença de forma especializada”. O médico nota que esta é uma área com muito pouca oferta, porque muitas residências são demasiado caras.

Está previsto que a rede de cuidados continuados passe a ter unidades específicas para saúde mental. Caldas de Almeida, responde que o diploma deverá ser aprovado nos próximos meses e conta ter as primeiras unidades com esta valência ainda este ano para arrancar com projectos-piloto de residências no início de 2008. Não se sabe ainda quantos lugares vão ser criados.

Desvalorização de sintomas

Pedro Macedo, psiquiatra do Hospital Júlio de Matos, lamenta alguns diagnósticos tardios da patologia, “o que dificulta o acompanhamento do doente”. Muitas vezes só se leva o doente ao médico quando “começa a haver grandes alterações da pessoa, com agitação ou quando já não consegue ficar sozinho em casa”. Mesmo no meio médico há quem desvalorize os sintomas por achar que tem a ver com o envelhecimento da pessoa e é inevitável, nota o clínico.

Mas assim como pode haver intervenções tardias também pode haver um erro de diagnóstico que julga relativamente comum: confunde-se Alzheimer com depressão, que “no idoso é muito importante e tem implicações na vida da pessoa”, que podem parecer demências.

Na opinião de muitas famílias “ser velho é ser triste, é ter uma vida monótona sem interesses”, lamenta José Barreto, professor aposentado de Psiquiatria da Faculdade de Medicina do Porto, e muitas depressões nestas idades ficam por tratar. O médico nota que as eventuais faltas de diagnóstico não são sequer “por incompetência do médico”, devem-se por vezes a relatos de familiares “que não querem ver a doença, que minimizam as queixas”

José Barreto nota que o diagnóstico feito a tempo não impede a doença mas prepara a família para o que vai acontecer daí a seis a sete anos, para que arranje formas de cuidarem alternadamente do doente.

A doença é detectada através da avaliação dos sintomas e testes psicológicos. A memória é a primeira capacidade afectada, logo seguida da linguagem, sentido crítico, dificuldade de executar tarefas diárias como vestir-se, enumera José Barreto. A cura não existe mas a sua evolução pode tornar-se mais lenta através da administração de fármacos e actividades de estimulação como as terapias ocupacionais.

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O artigo é a gozar?

Este vosso artigo parece fazer parte da campanha de publicidade daquele jornal gratuito...mas já ...

Gonçalo Mendes

21.09.2007 00:31

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