Defesa pede que "o Solitário" seja absolvido dos crimes de roubo e resistência

16.12.2008 - 18:45 Por Lusa
A advogada de Jaime Giménez Arbe, conhecido como “o Solitário”, pediu hoje a absolvição do seu cliente dos crimes de roubo na forma tentada e resistência à autoridade.
Nas alegações finais do julgamento, a decorrer na Figueira da Foz, Lígia Borbinha disse que “não existe qualquer prova material” dos dois crimes imputados ao seu cliente, pelo que este “não pode ser condenado”. “Mais vale absolver um culpado do que condenar um inocente”, disse.
O espanhol, de 52 anos, é acusado de ter tentado assaltar uma dependência bancária na Figueira da Foz, em Julho de 2007, altura em que foi detido, no exterior da agência, pela Polícia Judiciária. Na altura, o "Solitário" era um dos homens mais procurados de Espanha, acusado de dezenas de assaltos a bancos em Espanha, num dos quais foram mortos dois polícias.
A advogada sustentou o pedido de absolvição em alegadas contradições nos testemunhos dos agentes participantes na operação. “Não houve dois depoimentos que fossem coincidentes”, sublinhou.
A advogada garantiu que Gimenez Arbe “desistiu” de assaltar o banco e “abandonou o local do crime”, sublinhando a distância entre a porta do banco – onde o arguido alegou que nunca esteve – e a rua lateral onde foi detido. “A única explicação lógica é a desistência. Esta tentativa deixa de ser punível porque desistiu”, acrescentou.
Gimenez Arbe é também acusado de um crime de falsificação – punível com até três anos de prisão ou multa –, posse de arma e munições proibidas, ambos puníveis com cinco anos de prisão ou multa até 600 dias. Lígia Borbinha lembrou que Jaime Gimenez Arbe confessou aqueles três crimes, pelo que “deve ser condenado” a pena de multa.
Já o procurador Adérito Santos requereu ao tribunal a condenação do arguido a “pena efectiva” de prisão pelos cinco crimes de que é acusado.
O procurador disse também não acreditar no arguido quando este alegou ter desistido do assalto à Caixa de Crédito Agrícola por só querer atingir interesses espanhóis. Adérito lembrou que “todo o processo minucioso de preparação” do assalto contraria este alegado “rebate de consciência”. “Não desistiu voluntariamente. Apenas efectuou mais uma manobra de contra-vigilância, se tivesse desistido teria invertido a marcha”, sublinhou.
No final da audiência de hoje Jaime Gimenez Arbe voltou a usar da palavra, declarando que desistiu de assaltar o banco e negando ter resistido à detenção. Disse que o processo contra si “tem uma motivação política”, acusando as autoridades espanholas de tentar transformá-lo “num monstro”, o alegado inimigo público número 2 espanhol, depois da ETA.
A leitura da sentença está marcada para a tarde de 26 de Dezembro.
Em Julho deste ano, cerca de um ano depois de ter sido preso em Portugal, Giménez Arbe foi condenado em Espanha pelo homicídio de dois guardas-civis, crimes que lhe valeram a condenação a 47 anos de prisão, tendo sido posteriormente entregue às autoridades portuguesas para responder pela tentativa de assalto. Após a leitura da sentença deverá ser novamente repatriado para cumprir pena em Espanha.

