Os parques de campismo portugueses são inseguros e apresentam um risco de incêndio elevado, denuncia hoje a Associação de Defesa dos Consumidores - Deco, que recomenda o encerramento de cinco parques.
Os parques de campismo da Figueira da Foz, da Praia do Pedrógão, de Orbitur Valverde, de Montegordo e Camping Albufeira deveriam ser fechados para obras, defende a associação, pois tiveram nota má ou medíocre nos quatro critérios avaliados: evacuação, segurança contra incêndios, risco de ferimentos e riscos externos (proximidade de estradas, linhas de alta tensão, entre outros).
A associação concluiu que em caso de emergência é difícil usar as saídas para o efeito em todos os parques avaliados.
A Deco visitou anonimamente 20 parques, entre Julho e Agosto de 2005, e todos reprovaram no teste, por apresentarem falhas de segurança graves.
O panorama não melhorou muito face ao último estudo da Deco sobre parques de campismo, que foi feito há seis anos, lamentou a técnica da associação, Teresa Belchior. "Alguns parques podem ser assustadores em caso de incêndio", sublinhou.
As fotografias que acompanham o estudo são elucidativas. Carros que impedem a circulação, saídas de emergência fechadas a cadeado, muros altos, vedações com arame farpado no topo, pouca distância entre tendas e caravanas, toldos colados uns aos outros, botijas de gás e grelhadores junto às caravanas foram alguns dos exemplos escolhidos para mostrar a facilidade com que um fogo se pode propagar e os obstáculos a uma eventual fuga.
A presença de material combustível desnecessário, como caruma acumulada nas tendas e árvores com ramos baixos e vegetação junto às tendas e caravanas foi outra constante nos parques avaliados pela Deco e que põe em perigo a integridade física dos campistas.
Em caso de incêndio, a associação verificou que o combate às chamas também seria problemático, pois na maior parte destes equipamentos faltam extintores e bocas-de-incêndio, sendo os caminhos pouco ou nada acessíveis aos bombeiros.
Teresa Belchior lembrou que, em Agosto do ano passado, um incêndio no Clube de Campismo do Concelho de Almada provocou quatro feridos e destruiu por completo quatro alvéolos e dois automóveis.
A Deco aponta a legislação permissiva, a concentração de competências de fiscalização, licenciamento e, por vezes, propriedade numa única entidade (câmaras) e a falta de uma cultura de segurança, como principais causas desta situação "explosiva".
A lei é omissa relativamente ao número de saídas de emergência, em função da dimensão do parque, e permite que os proprietários sejam dispensados de realizar as alterações necessárias para garantir a segurança, se as mesmas "forem materialmente impossíveis ou comprometerem bastante a rentabilidade".


