“Quero voltar para Timor” foi a frase que Natália Santos, a menina timorense operada a um tumor cerebral no Hospital de S. João, disse – não em português, mas em tetum – a D. Ximenes Belo. O bispo de Díli visitou hoje de manhã a menina de 10 anos, que foi trazida de Timor-Leste para a cirurgia e que está a recuperar na enfermaria de oncologia pediátrica do hospital.
Natália e D. Ximenes trocaram presentes – para o bispo, um desenho, para a menina, um jogo – e o clérigo disse que “tinha rezado por ela” e sublinhou que “o grande desejo da Natália é regressar a casa”. Contudo, isso não será possível nos próximos três ou quatro meses, porque, apesar de ter alta na próxima semana, a menina vai ficar em Portugal até fazer a ressonância magnética para verificar se todo o tumor foi retirado, explicou Maria João da Costa, médica de Oncologia Pediátrica.
Depois de visitar outras crianças na unidade de oncologia pediátrica, o bispo de Díli agradeceu a “atenção especialíssima” da equipa médica que operou Natália e disse que “espera que os desenvolvimentos [da criança] correspondam às expectativas”. O clérigo timorense aproveitou para alertar para os diversos problemas de saúde que afectam o seu país, como a malária, o dengue, a tuberculose e a SIDA e disse esperar que “a colaboração [na área da saúde] entre o governo português e o governo timorense continue”, uma vez que “é necessário reforçar a rede de saúde com médicos e medicamentos”.
Segundo Maria João da Costa, a criança vai ser ainda submetida a uma “reavaliação oftalmológica”, para ver em que estado está a visão de um dos olhos, lesada pelo tumor. No entanto, a maior preocupação de momento é a necessidade “de acompanhamento hormonal de substituição” que Natália vai ter toda a vida, já que “em Timor não há a terapia necessária”, disse a médica. Mas a oncologista declarou que “de certeza” será possível “articular o tratamento”, através do envio por correio dos medicamentos ou da compra dos mesmos num lugar mais próximo de Timor. Até agora, todas as despesas têm sido suportadas pelo Hospital de S. João, explicou a médica, e sublinhou que “há muitos doentes com necessidade de apoio social” que são ajudados pela unidade hospitalar. “Sempre que uma criança precisa, tentamos resolver sempre”, salientou.
Quanto à estadia de Natália em Portugal até à ressonância magnética, a oncologista pediátrica esclareceu que ainda não está nada decidido, mas que “já há várias alternativas”, nomeadamente o alojamento em casa de pessoas relacionadas com a família. “Muita gente já se ofereceu”, acrescentou.


