D. Policarpo gostaria que Igreja e Presidência da República tivessem anunciado vinda do Papa em simultâneo 
24.09.2009 - 21:32 Por Lusa
O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, admitiu hoje que gostava que o anúncio da visita do Papa Bento XVI a Portugal, em Maio de 2010, tivesse sido feito em simultâneo pela Presidência da República e pela Igreja.
"Se me pergunta se eu gostava que tivesse sido simultâneo, gostava. Não aconteceu e não há problema nenhum nisso", afirmou, em conferência de imprensa, adiantando que já sabia da visita papal desde sábado passado.
Questionado sobre o motivo pelo qual a visita não foi anunciada antes, D. José Policarpo respondeu: "Era um segredo diplomático".
O cardeal patriarca desvalorizou a questão e uma eventual descoordenação com o Palácio de Belém, lembrando que o Papa visitará Portugal na qualidade de Chefe de Estado, com uma vertente eclesiástica e outra diplomática, depois de convites dirigidos por Cavaco Silva e pela Conferência Episcopal.
"Não há nada de anormal", reiterou.
Já esta tarde, em declarações à Rádio Renascença o padre Manuel Morujão tinha dito que o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, "pensava que a data mais oportuna para publicar a feliz notícia seria a seguir às eleições. Houve esta antecipação, o que é natural quando as confidências passam por muitas pessoas".
"As eleições são um fenómeno português, não sei se é preciso tê-las em conta. Pessoalmente, acho que o Papa é bem-vindo em qualquer altura", começou por afirmar o cardeal patriarca, acrescentando depois: "Era o que faltava meter o Santo Padre na polémica e dinâmica eleitoral de Portugal".
Sobre a visita propriamente dita, adiantou que o programa ainda não está definido, sendo apenas certa a presença de Bento XVI na noite de 12 de Maio em Fátima, para no dia seguinte presidir às habituais celebrações.
"Tudo leva a crer que será uma visita curta. Não será uma visita de forma nenhuma comparável, por exemplo, às de João Paulo II", afirmou, manifestando-se "muito contente" com a visita.
"Tenho dados que me permitem esperar que o Santo Padre aterrará em Lisboa e partirá de Lisboa e que contemplará Lisboa com uma estadia um pouco mais prolongada do que noutros sítios", revelou.
Quanto à mensagem que o Papa poderá deixar em Fátima, o cardeal respondeu: "Não faço a mínima ideia, nem lhe mando recados. Sou todo ouvidos".
Afirmou ainda não ter qualquer dúvida de que os fiés portugueses terão por Bento XVI o mesmo carinho que tinham por João Paulo II.
Relativamente ao Governo português, garantiu que os contactos vão iniciar-se agora tendo em vista a preparação da visita, por exemplo em matéria de segurança.
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