Cuidados de Saúde Primários: coordenador do serviço diz que saída antecipada de médicos é uma "catástrofe"

18.03.2010 - 11:36 Por Lusa
O coordenador da Missão dos Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco, afirmou hoje que a saída de quase 300 médicos por reforma antecipada seria uma “catástrofe” para os cuidados de saúde primários.
Segundo o Ministério da Saúde (MS), até finais de Fevereiro foram registados 284 pedidos de reforma antecipada.
No entanto, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) diz que são acima de 400 os clínicos que se pretendem reformar antecipadamente.
“O Governo tem apontado os números que deram entrada na Caixa Geral de Aposentações. Mas há um intervalo de tempo entre a apresentação do pedido aos serviços de saúde e a entrada na Caixa. Neste momento serão mais de 400 pedidos, perto dos 500”, explicou à Lusa Carlos Arroz, dirigente do SIM.
Para o coordenador da Missão dos Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco, a saída destes médicos seria uma “machadada muito forte naquilo que tem vindo a ser a política do ministério de dar médicos de família a pessoas que não tinham e de procurar resolver os problemas de qualidade e acesso que têm existido nos últimos anos”.
“Espero que isso não se concretize e que seja possível reverter a situação, porque é uma grande perda de pessoas no auge das suas capacidades reformarem-se”, disse.
Luís Pisco sublinhou ainda que, se fossem todos médicos de família, eram mais de 400 mil pessoas que ficavam sem médico.
Entretanto, o Ministério da Saúde anunciou hoje a entrada no SNS de 97 médicos com a especialidade de medicina geral e familiar, que concluíram em Fevereiro a formação e que permitirão o acesso a médico de família a mais de 150 mil portugueses.
Os jovens médicos iniciarão de imediato a sua actividade em todo o país, a maioria dos quais (44) na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e 26 na ARS de Lisboa e Vale do Tejo.
Catorze médicos irão para a ARS do Centro, seis para o Algarve e um para o Alentejo.
A estes médicos acrescem outros seis profissionais contratados directamente pelas Unidades Locais de Saúde do Alto Minho (um), de Matosinhos (quatro) e do Norte Alentejano (um), adianta o MS.
Luís Pisco congratulou-se com a entrada imediata dos médicos, que veio pôr fim a um “processo muito burocrático, que durava vários meses a ser colocados”.
“É uma medida que vai ser muito bem-vinda. Ficará aquém do que é necessário, mas são quase 100 médicos e 150 mil pessoas que vão ficar com médico de família. Penso que isso é uma grande ajuda”, comentou.
Relativamente aos pedidos de reforma antecipada, a alta comissária da saúde, Maria do Céu Machado, defendeu ontem a criação de medidas de excepção para os profissionais de saúde a fim de evitar a saída em massa destes trabalhadores.
O Governo, no âmbito do Programa de Estabilidade e Crescimento, anunciou já que pretende antecipar o aumento da idade de reforma.

