Como terão ocorrido as alegadas pressões, de acordo com os relatos até agora publicados na imprensa e parcialmente confirmados por alguns dos envolvidos.
- No final de Março, Lopes da Mota encontra-se com os dois magistrados tutelares do processo Freeport, Vítor Magalhães e Paes Faria, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal. Mota ter-lhes-á dito que estava mandatado pelo ministro da Justiça para os contactar, perguntando-lhes se tinham a noção de que eram as pessoas “mais importantes do país”. Comunicou-lhes depois que se o PS perdesse a maioria absoluta por causa do Freeport haveria represálias, chamando-lhes a atenção para as indemnizações que teriam de pagar, tendo em conta a nova lei da responsabilidade civil.
- No dia seguinte, Lopes da Mota telefona e fala com o magistrado Paes Faria referindo o arquivamento do processo. O telefonema é presenciado pelo juiz Carlos Alexandre (na foto) e por dois elementos da Polícia Judiciária.
- Vítor Magalhães e Paes Faria falam de pressões exercidas por Lopes da Mota, durante um almoço com António Cluny e João Palma, dirigentes do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).
- Cluny e depois Palma denunciam publicamente a existência de pressões sobre magistrados que investigam processos de especial importância para a sociedade portuguesa.
- A 29 de Março, o procurador João Palma, eleito para presidir ao SMMP, sucedendo a Cluny, fala da existência de pressões num telejornal da SIC e divulga que pediu uma audiência com carácter de urgência ao Presidente da República.
- As denúncias sobre as pressões levam o procurador-geral da República a convocar uma reunião, a 31 de Março, com a presença dos dirigentes do MP, os magistrados tutelares do inquérito e Lopes da Mota. No mesmo dia, a PGR emite um comunicado onde afirma que os magistrados em causa reconheceram que “não existe qualquer pressão ou intimidação que os atinja ou impeça de exercerem a sua missão com completa e total serenidade, autonomia e segurança”.
- Numa reunião extraordinária convocada por Pinto Monteiro, no dia 3 de Abril, o Conselho Superior do Ministério Público decide nomear um inspector para realizar um inquérito com vista a apurar a “consistência das afirmações” sobre pressões políticas sobre os magistrados.
- Vitor Manuel dos Santos Silva, inspector do MP, inicia a investigação a 7 de Abril, tendo um prazo de 30 dias para a concluir.


