Criança retirada morta do Douro a seis quilómetros do local do resgate da mãe

30.10.2009 - 09:09 Por Mariana Oliveira
A criança de seis anos desaparecida desde quarta-feira à tarde foi encontrada, na manhã de ontem, a três metros de profundidade no rio Douro, pelos mergulhadores dos Sapadores Bombeiros de Vila Nova de Gaia. Continua por esclarecer se a morte de André Fernandes Pinto se deveu a um acidente ou se resultou da tentativa de suicídio da mãe, resgatada por três jovens remadores do Real Clube Fluvial Portuense a seis quilómetros do local onde o corpo foi encontrado.
Os mergulhadores retiraram o cadáver junto ao Esteiro de Avintes, na margem de Gaia, onde a mãe, Anabela Fernandes, de 34 anos, deixou estacionada a sua viatura com um bilhete de despedida no interior. O corpo foi detectado pelas 9h30, mas só foi retirado da água por volta do meio-dia, já que foi necessário aguardar pelas autorizações legais. O corpo foi transportado para a delegação do Norte do Instituto Nacional de Medicina Legal, no Porto, onde será realizada hoje a autópsia já autorizada pelo Ministério Público. O facto de o local ser de difícil de acesso permitiu que a operação decorresse com discrição.
Joaquina Palha, ex-presidente da Associação Futuro Risonho, que gere o infantário que André frequentou, afirma desconhecer "alguma doença ou problema grave" do menor. Joaquina conhecia a criança desde os 3 meses de idade e diz ter conhecimento apenas de que André esteve internado devido a uma reacção alérgica causada por uma vacina de penicilina. "Mais recentemente", acrescenta, "penso que tinha dores de garganta". "A mão amava muito o filho e notava-se que não suportava vê-lo sofrer. Mas quando falava com ela parecia-me alegre e comunicativa, nada que indicasse que poderia estar a passar por uma depressão", remata (ver caixa).
André estava desde Setembro no primeiro ano da escola básica do primeiro ciclo de Balteiro, também em Vilar do Andorinho, cuja turma terá sido ontem informada da morte do colega por uma psicóloga. Contactada pelo PÚBLICO, a professora não quis fazer qualquer comentário.
Fontes da polícia marítima consideram pouco provável que a mulher tenha percorrido os cerca de seis quilómetros que separam o local onde terá entrado no Douro com o seu filho e o local de onde foi resgatada por três jovens remadores. A forma como Anabela chegou ao local do rio onde foi encontrada permanece um enigma deste caso, uma vez que os bombeiros consideram pouco provável que tenha permanecido muitas horas dentro de água.
O testemunho da mulher é fundamental para esclarecer esta discrepância. Precisamente por isso, foi ontem sujeita a uma perícia de técnicos do Instituto Nacional de Medicina Legal enquanto estava internada no Hospital de Santos Silva, em Vila Nova de Gaia. "O objectivo deste tipo de exames é o apuramento de lesões e vestígios que permitam relevantes para a investigação", como explicou Teresa Magalhães, presidente da delegação daquela entidade no Norte. As perícias serão cruciais para avaliar a credibilidade do testemunho da mulher.
Anabela Fernandes continua internada naquele hospital de Gaia. A assessora de imprensa da unidade disse ao PÚBLICO que o "quadro clínico da mulher, a nível psicológico, está muito debilitado". O seu estado físico é agravado pela "hipotermia", acrescentou a mesma fonte, que não adiantou pormenores sobre a data provável da alta médica.
O desaparecimento da mãe e do filho foram comunicados pela irmã da mulher na tarde de terça-feira. A mãe da criança, a quem familiares e vizinhos atribuem uma depressão, afirmou ter entrado com o filho no rio e que este terá desaparecido. Duas embarcações e um helicóptero da Força Aérea estiveram envolvidos nas operações de busca. com Bruno Carvalho e Tânia Florido

