O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) considera "natural" o crescimento do sector privado na área da Saúde, sublinhando que isso não diminui nem a quantidade nem a qualidade dos hospitais públicos.
"O sector privado está efectivamente a crescer, com algumas unidades de qualidade. Aparecendo estas unidades, é muito natural que esse crescimento acontecesse", disse Pedro Lopes. Para o também administrador dos Hospitais da Universidade de Coimbra, "os hospitais públicos continuam no seu desempenho, não havendo decréscimo de procura nem decréscimo de produção, portanto [os hospitais do Serviço Nacional de Saúde] fazem o seu caminho normal".
Estes hospitais públicos, considerou o representante dos gestores dos hospitais do Estado, continuam "em crescimento, embora mais ligeiro, mas sustentável porque a grande dimensão da cobertura hospitalar continua a ser feita pelos hospitais públicos, não pelos privados".
Os principais grupos privados de saúde a operar em Portugal cresceram acima de dois dígitos no primeiro semestre deste ano, em comparação com os primeiros seis meses de 2008. De acordo com os dados da actividade assistencial da José de Mello Saúde, Espírito Santo Saúde e Hospitais Privados de Portugal, o crescimento esteve, em todos os casos, bem acima dos dez por cento (exceptuando os internamentos nos hospitais da CUF, que subiram apenas 3,5 por cento face aos primeiros seis meses do ano passado).
Para o presidente da APAH, existe, para os privados, "um certo mercado muito localizado na região do Porto e Lisboa e aparecendo estas unidades é muito natural que esse crescimento acontecesse", mas isso não impede o sector público de continuar a melhorar. "O sector público continua a fazer o seu percurso normal e o privado serve só aquelas que pessoas que ou têm seguros ou têm capacidade financeira para serem atendidas na privada", considerou Pedro Lopes.


