"Correio da Manhã": procurador de Gondomar quer que Pinto da Costa seja investigado em Lisboa

09.02.2006 - 10:44
O procurador do Tribunal de Gondomar quer que Pinto da Costa, arguido no processo "Apito Dourado", seja investigado em Lisboa por suspeita de crimes de corrupção passiva e falsificação de documentos, noticia hoje o "Correio da Manhã".
Em causa, de acordo com o jornal, estão suspeitas relacionadas com a nomeação, escolha e classificação de árbitros de futebol durante a época 2003/04.
De acordo com o CM, numa das cerca de cinco dezenas de certidões extraídas pelo procurador Carlos Teixeira do processo "Apito Dourado" dirigidas ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa é referido que o presidente do FC Porto estará relacionado com vários tipos de situações, como subidas, descidas e manutenção de árbitros.
É por isso que, ainda segundo o jornal, o ex-líder da Comissão de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), José António Pinto de Sousa (já acusado de 26 crimes na comarca de Gondomar), será também investigado em Lisboa.
O CM escreve que na questão da classificação dos juízes, os resultados só poderiam ser alcançados com a ajuda do responsável pela informática da FPF, Paulo José Torrão Porto Gonçalves, que o procurador também quer ver acusado pelos crimes de corrupção passiva para acto ilícito e falsificação de documento.
O nome de Pinto da Costa também aparece nas mais de duas dezenas de certidões dirigidas ao DIAP do Porto.
O procurador Carlos Teixeira quer que o Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto passe "a pente fino" o interrogatório a que o líder portista foi submetido pela juíza de instrução criminal Ana Cláudia Nogueira.
O jornal escreve também que, além dos interrogatórios efectuados a vários indiciados, Carlos Teixeira terá enviado para Lisboa e para o Porto escutas relacionadas com Pinto da Costa.
Dos 201 arguidos do processo "Apito Dourado", 27 já foram formalmente acusados em Gondomar e os restantes terão de ser acusados nas comarcas de Lisboa e do Porto, embora algumas situações relativas a vários arguidos já tenham sido arquivadas.
De acordo com o CM, há ainda casos de arguidos que já foram acusados em Gondomar e que poderão voltar a ser acusados em Lisboa e no Porto, como Valentim Loureiro e Pinto de Sousa, porque o Tribunal de Gondomar não tem competência territorial para deduzir a acusação relacionada com factos ocorridos na FPF, cuja sede é em Lisboa, e na Liga de Clubes, sedeada no Porto.

