Coordenador do estudo: Plano Estratégico para o Oeste não está comprometido com Alcochete

11.01.2008 - 12:03 Por Lusa
O Plano Estratégico para o Oeste, que gravita em torno do novo aeroporto internacional de Lisboa, está concluído e não fica comprometido com a opção por Alcochete, disse o coordenador do estudo, o economista Augusto Mateus.
“O trabalho está concluído do ponto de vista técnico”, disse Augusto Mateus, coordenador da equipa responsável pelo plano de acção, segundo o qual a decisão anunciada ontem pelo Governo em nada compromete a estratégia de desenvolvimento traçada para a região.
O economista sublinhou, em declarações à Lusa, que “o trabalho do plano estratégico não foi feito tomando a localização do aeroporto na Ota”, mas “partindo do interesse em haver um novo aeroporto internacional de Lisboa para a região do Oeste”.
Neste sentido, o presidente da Associação de Municípios do Oeste, Carlos Lourenço, revelou à Lusa que os municípios vão “seguramente este mês” divulgar o estudo encomendado ao economista, no quadro dos fundos estruturais da União Europeia destinados a Portugal entre 2007-2013.
Augusto Mateus sustentou a sua posição considerando que “não é o local do aeroporto que determina se o aeroporto é útil para o Oeste, é a sua competitividade e a sua capacidade de atrair turistas, de favorecer as importações e as exportações de que a região necessita”.
Turismo pede aeroporto competitivo
Numa região onde estão em curso investimentos de 2,5 mil milhões de euros na construção de novos empreendimentos turísticos, o especialista recordou que “o que interessa é ter um novo aeroporto competitivo, com mais voos de baixo custo que atraia pessoas para os novos resorts” e não tanto “a proximidade do aeroporto em relação a um hotel”.
Deste modo, a decisão do Governo pela opção Alcochete não deve ser acolhida com “protestos” pela região, mas antes com o optimismo de quem ganhou uma “capacidade redobrada de negociar com a administração central um conjunto de investimentos que são absolutamente determinantes para a estratégica que foi definida”.
A aposta, segundo o responsável, deverá passar pela implementação de uma rede de auto-estradas, com a concretização do IC 11 (Carregado-Torres Vedras-Peniche), electrificação e modernização da Linha ferroviária do Oeste, construção de novos hospitais para melhor servir os vários concelhos e apoio a projectos científicos.
Já em relação ao concelho de Alenquer, “tem de ser estudado um mecanismo compensatório” para minimizar os prejuízos decorrentes das medidas preventivas impostas pelo aeroporto em terrenos na zona da Ota que limitaram a construção de habitações e o aparecimento de novas empresas.
Augusto Mateus e Jorge Gaspar foram os responsáveis pela análise dos factores associados ao sistema aeroportuário, ao ordenamento do território, bem como à análise macroeconómica e de competitividade, que constam do relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

