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"Dramática" alteração do programa

Convenção Republicana é a primeira a sofrer fúria do furacão Gustav

31.08.2008 - 23:15 Por Rita Siza, , em Saint-Paul, Minnesota

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Localização do furacão Gustav às 13h00 (CDT), 19h00 de Lisboa Localização do furacão Gustav às 13h00 (CDT), 19h00 de Lisboa (National Hurricane Center, EUA)
Ainda antes de chegar à costa da Louisiana, com uma força destruidora semelhante à do Katrina, o furacão Gustav já fez um primeiro (e significativo) estrago nos Estados Unidos: a Convenção Nacional Republicana, com início marcado para hoje na cidade de Saint-Paul, no Minnesota, quase a 2000 quilómetros da rota da tempestade.

O sucesso do festival republicano de quatro dias estava ontem seriamente em causa, com as atenções do país desviadas para aquela que foi descrita como “a mãe de todas as tempestades” pelo “mayor” de Nova Orleães, Ray Nagin. A sua cidade, devastada há precisamente três anos pelo furacão Katrina, voltava a estar no olho da tormenta e no centro das atenções dos americanos.

As ordens para evacuação e recolher obrigatórios que ontem entraram em vigor na costa do golfo do México acabaram por reflectir-se a norte até Saint-Paul, esvaziando a plateia do Xcel Energy Center, o enorme pavilhão desportivo escolhido para receber os cerca de 2400 delegados e milhares de convidados republicanos.

Numa primeira reacção, o senador republicano do Arizona, John McCain, que vem a Saint-Paul aceitar a nomeação presidencial do seu partido, admitiu adiar ou mesmo suspender a Convenção. “Não me parece apropriado estar a fazer uma festa [no Minnesota] enquanto uma parte do país enfrenta um terrível desafio ou mesmo uma tragédia sob a forma de um desastre natural”, declarou.

A hipótese de adiar a Convenção até depois da passagem do Gustav era um risco tão grande ou maior do que manter a data: se o furacão se revelar tão devastador como o Katrina, a cobertura mediática nos dias seguintes estará concentrada no esforço de recuperação (possivelmente de busca e salvamento) das populações atingidas.

A solução passou por uma “dramática” alteração do programa, segundo as palavras da organização. O cancelamento era pura e simplesmente impossível: por causa dos prazos legais, os republicanos têm um prazo limitado para concretizar a nomeação oficial de John McCain e Sarah Palin; se não o fizerem, os dois nomes não serão admitidos nos boletins de voto. Mas como notavam ontem os comentadores políticos, para validar a vitória de McCain nas primárias e oficializar a nomeação, o partido não precisa de quatro dias — bastam vinte minutos.

A decisão dos organizadores da Convenção foi levar a cabo todos os procedimentos requeridos por lei para a nomeação e abreviar ou suspender outros pontos do programa. “Vamos suspender a maior parte das actividades da Convenção, e retomar as operações assim que seja possível. Mal posso esperar por estar aí”, informou John McCain, numa mensagem via satélite para a Convenção.

“O tempo não é para a política partidária, é tempo para a acção”, observou o candidato, que num apelo aos delegados presentes em Saint-Paul disse que “o tempo é para abrir os corações e as carteiras e agir para nos assegurarmos que aqueles menos afortunados terão o apoio que necessitam”.

Depois dele, o director de campanha Rick Davies garantia que as sessões da Convenção serão abertas à hora prevista, mas admitia que era impossível determinar qual seria o programa dos dias seguintes, uma vez que as decisões seriam tomadas “dia a dia” mediante a situação na Louisiana. “As perspectivas não são nada animadoras. Esta é uma situação totalmente inédita na história das Convenções, não há nenhum precedente para dar-nos uma ideia de qual o melhor caminho a seguir”, reparava ontem uma fonte da campanha.

Ontem, não eram apenas as equipas de emergência que antecipavam a chegada do furacão Gustav a Nova Orleães — também os candidatos presidenciais falavam em “planos de contingência” para a campanha eleitoral durante os dias críticos da tempestade.

O candidato republicano não previa viajar até ao Louisiana, para evitar interferir com a missão das autoridades locais na evacuação das populações. Mas o senador do Arizona esteve no estado vizinho do Mississippi, acompanhado pela sua parceira candidata à vice-presidência, Sarah Palin, para conhecer em primeira mão os preparativos que estão a ser tomados para fazer face ao furacão.

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Velho do Restelo

É caso também para dizer, a respeito dos Republicanos, "E tudo o vento levou!". Espero que isto não ...

Ricardo Costa

01.09.2008 11:49