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Lisboa

Consulta do Migrante: Um ano de adesão "positiva" mas com pouca divulgação

27.08.2005 - 11:03 Por Lusa

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 (Daniel Rocha/PÚBLICO)
A Consulta do Migrante do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, atendeu no primeiro ano de funcionamento cerca de 50 utentes, número considerado "positivo" mas que não satisfaz os responsáveis, descontentes com a pouca divulgação do serviço.

"Neste primeiro ano recebemos cerca de 50 pessoas e produzimos quase 200 actos clínicos. O balanço do primeiro ano é francamente positivo, a equipa está satisfeita com os resultados, mas há aspectos que têm de ser alterados e melhorados", disse a psiquiatra Inês Silva Dias, responsável por aquela consulta especializada na ajuda às vítimas do choque de culturas.

Um desses aspectos é a divulgação, que a psiquiatra considera ser insuficiente. "A informação sobre o nosso serviço precisa de circular mais nas associações de imigrantes e no Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME)", defende.

Tudo porque "são sempre as mesmas associações que enviam os doentes", explicou.

A Consulta do Migrante propõe-se ajudar imigrantes, ex-emigrantes, minorias étnicas e refugiados a ultrapassarem o medo, a ansiedade e a depressão associadas ao fenómeno da migração e à inserção numa sociedade culturalmente diferente.

Das cerca de 50 pessoas que procuraram este serviço, a maioria tem entre os 25 e os 55 anos e é natural dos países africanos de expressão portuguesa. Ucrânia, Moldávia, Brasil, Itália, Grã-Bretanha, China e Bangladesh são outros pontos de origem dos utentes que passaram por aquela consulta.

"Todos apresentam sofrimento psíquico devido à adaptação a um país diferente e às dificuldades que enfrentam", explicou a psiquiatra, acrescentando que "alguns manifestam psicopatologias".

Ao longo do último ano, foram ainda assistidos na consulta do Miguel Bombarda alguns ex-emigrantes e jovens luso-descendentes residentes no exterior. França e Suíça foram os países escolhidos para viver pela maioria desses ex-emigrantes, que apresentam problemas semelhantes aos dos imigrantes, nomeadamente no que respeita às dificuldades de adaptação a Portugal.

"Dar cuidados é o objectivo principal do nosso serviço", sublinhou Inês Silva Dias, acrescentando que "paralelamente a consulta começou a dar visibilidade a uma área que não era importante" ao nível da saúde. Como resultado dessa visibilidade, a equipa da Consulta do Migrante começou a ser convidada para participar em conferências e seminários, tendo sido também procurada por universitários interessados em fazer investigação nesta área.

Por se tratar de uma consulta muito específica, a psiquiatra faz questão de esclarecer que "não pretende criar um gueto em relação à população migrante, mas sim uma maneira alternativa de comunicar com essas pessoas e de essas pessoas comunicarem com os portugueses".

Normalmente, as pessoas são encaminhadas para a consulta através das associações de imigrantes e dos centros de saúde, mas existem também doentes que tomaram a iniciativa de se dirigir ao Hospital Miguel Bombarda.

Com uma equipa constituída por psiquiatras, psicólogos, enfermeiros e um antropólogo, a Consulta do Migrante realiza-se às terças-feiras no Hospital Miguel Bombarda. Além de consultas de psiquiatria e psicologia, os utentes podem obter também apoio psicopedagógico e cuidados de enfermagem.

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