Conselho Superior da Magistratura abriu processo disciplinar a Adelino Salvado

23.02.2005 - 09:33 Por António Arnaldo Mesquita, PÚBLICO
O Conselho Superior da Magistratura (CSM) abriu um processo disciplinar ao desembargador Adelino Salvado, devido ao teor dos diálogos entre o antigo director nacional da Polícia Judiciária e o jornalista Octávio Lopes, do "Correio da Manhã", em torno do processo da Casa Pia.
A decisão decorre do evoluir do inquérito instaurado pelo Conselho na sequência da divulgação dos suportes digitais daquelas conversas, no passado mês de Agosto, uma deliberação tomada na reunião de ontem do CSM, mas que Antero Luís, porta-voz do Conselho, contactado pelo PÚBLICO se recusou a confirmar ou desmentir.
Adelino Salvado foi uma das personalidades que viu registadas as suas palavras por Octávio Lopes, sem o seu prévio conhecimento. A mesma situação terá ocorrido com personalidades dos meios jurídicos e ligadas ao processo da Casa Pia, que souberam das supostas "gravações ilícitas", quando, há cerca de meio ano, começaram a circular registos digitais das dezenas de horas de telefonemas gravados pelo jornalista do "Correio da Manhã", cujas cassetes teriam alegadamente sido roubadas da sus secretária. Entre os interlocutores figuravam investigadores da Judiciária, o director nacional da PJ, Adelino Salvado, a assessora de imprensa da Procuradoria Geral da República, Sara Pina, e outras personalidades ligadas ao caso Casa Pia, como Pedro Namora, Adelino Granja, Catalina Pestana e Proença de Carvalho.
O caso das "cassetes roubadas", recorde-se, gerou uma grave crise por indiciar eventuais violações do segredo de justiça. As consequências não tardaram e uma das primeiras vítimas foi Sara Pina, assessora de imprensa de José Souto Moura. Também Salvado ficou numa situação embaraçosa. O escândalo assumiu tais proporções que o próprio primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, chamou a si o caso conjugando esforços com o ministro da Justiça, Aguiar Branco.
Numa primeira reacção, Adelino Salvado alegou que o conteúdo das conversas poderá ter sido truncado, mas o desembargador acabaria por apresentar a demissão do cargo para que fora nomeado pela ex-ministra Maria Celeste Cardona. Na sua carta alegava sentir-se "numa clara situação de isolamento perante a tutela política". Uma das frases do ex-director nacional da PJ estava relacionada com a alegada incriminação de Ferro Rodrigues por três testemunhas do processo, informação facilitada pelo desembargador e que terá sustentado uma manchete do "Correio da Manhã", dando origem a uma queixa-crime do ex-secretário geral do PS.

