Conselho das Comunidades diz que há indicadores de aumento da emigração

05.05.2008 - 11:14 Por Lusa, PÚBLICO
O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas, Carlos Pereira, disse hoje à Lusa que apesar de não existirem números, há indicadores que apontam para um maior número de emigrantes portugueses na Europa.
“Não há números, há indicadores. Vivo em Paris e basta-me ir à rua para ver passar muitos carros com matrícula portuguesa”, disse, adiantando que, nos “últimos quatro, cinco anos, se nota um crescimento impressionante de automóveis portugueses”.
O “Diário de Notícias” refere hoje que o número de emigrantes portugueses aumentou 52,6 por cento entre 2000 e 2007 para os principais países de destino europeu, de acordo com dados do relatório Internacional sobre Migrações de 2007 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento económico (OCDE), que será divulgado em Junho.
No entanto, fonte da Secretaria de Estado das Comunidades afirmou à Lusa que “não há nenhum estudo científico, nem dados que sustentem os diversos estudos que têm sido apresentados”, justificando a criação amanhã, pelo Governo, do Observatório da Emigração, cujo objectivo é fazer a história deste fenómeno e recolher estatísticas fiáveis.
Portugueses na Córsega para pagar créditos
Carlos Pereira contou à Lusa que passou os últimos quatro dias na Córsega e que ficou “impressionado com o número de portugueses”.
“É incrível o número de portugueses que chegam à Córsega. Vem sobretudo de Vila do Conde e Póvoa do Varzim. Vêm trabalhar nas obras para arranjar dinheiro para pagar créditos que contraíram em Portugal e que não conseguem suportar”, referiu.
O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas contou ainda que teve a sensação de um recuo no tempo, para a altura da vaga de emigração, há 35, 40 anos atrás. Disse ter vindo “perturbado” com as “situações complicadas” que encontrou por parte dos portugueses.
Este responsável referiu à Lusa que se tem notado um maior afluxo de portugueses para Londres (Inglaterra), Suíça, França e Espanha, lembrando que em Andorra a comunidade portuguesa é já a primeira, em número.

