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Conferência VIH Portugal 2009: anunciado hoje compromisso de acesso gratuito e voluntário aos testes de detecção do vírus

28.03.2009 - 16:31 Por Lusa

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Durante este ano, a coordenação nacional quer também reduzir em 30 por cento o número de pessoas infectadas pelo VIH que são detectadas com uma contagem de células CD4 inferior a 350 por milímetro cúbico de sangue Durante este ano, a coordenação nacional quer também reduzir em 30 por cento o número de pessoas infectadas pelo VIH que são detectadas com uma contagem de células CD4 inferior a 350 por milímetro cúbico de sangue (DR)
A garantia do acesso gratuito e voluntário aos testes de detecção do VIH e a criação de um conselho para alargar a sua concretização integram os compromissos da Conferência VIH Portugal 2009, anunciados hoje em Lisboa.

No final da iniciativa, organizada desde ontem por vários representantes do combate à sida e especialistas, o coordenador nacional para a infecção VIH/sida no Alto Comissariado para a Saúde, Henrique Barros, anunciou que os objectivos deste ano passam também por reafirmar que o teste não é, por si só, uma medida de prevenção, "devendo por isso ser realizado de modo a tirar o partido possível da promoção das medidas eficazes de prevenção e redução de riscos".

O responsável assegurou aos jornalistas que, associada à garantia de gratuitidade e de carácter voluntário, esta premissa permitirá melhorar efectivamente as condições em que os testes de detecção são feitos, até porque é também acrescida da necessidade de prestar aconselhamento em todos os casos, algo que "nem sempre acontece".

Primeira reunião do novo conselho deverá ocorrer até final de Abril

Quanto ao conselho terá como "finalidade última" a definição de condições práticas para a realização de testes em unidades de saúde familiar (USF), unidades funcionais de Agrupamentos de Centros de Saúde (ACS), centros de aconselhamento e diagnóstico (CAD) e estruturas de "out-reach".

Segundo Henrique Barros, a primeira reunião deste novo organismo deverá ocorrer até ao final do mês de Abril.

Durante este ano, a coordenação nacional quer também reduzir em 30 por cento o número - actualmente de 70 por cento - de pessoas infectadas pelo VIH que são detectadas com uma contagem de células CD4 inferior a 350 por milímetro cúbico de sangue, o que revela um enfraquecimento do sistema imunitário e, por consequência, uma sujeição gradual a infecções.

Numa pessoa saudável com VIH negativo, a quantidade de CD4 pode variar entre as 600 e 1.200 células/milímetro cúbico.

No encerramento da conferência, a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida comprometeu-se também "monitorizar e publicar anualmente a evolução do número de testes realizados e as condições disponibilizadas para a sua realização, em contextos formais ou informais de saúde.

Campanha sobre o preservativo feminino

Henrique Barros disse ainda aos jornalistas que a actual campanha sobre o preservativo feminino, que não circula no mercado, é justificada pela necessidade de relembrar que o este método existe e é eficaz.

"Ele não existe no mercado porque as pessoas não procuram, porque não sabem que existe, mas as estruturas de saúde podem dispor dele porque já está dentro das regras exigidas a qualquer produto", explicou, adiantando que Portugal não assiste a uma generalização da infecção entre mulheres, mas que, tendo em conta o aumento desse fenómeno nos países mais marcados pela sida, é necessário antecipar o problema "o mais cedo possível".

Presente na conferências, que decorreu no Centro Cultural de Belém, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizzaro, destacou a importância de repetir debates, entre especialistas, autoridades e a sociedade civil, sobre a infecção e os "estigmas" que lhes estão associados.

"É absolutamente claro que há que reflectir na estratégia a seguir. Somos melhores a encontrar problemas do que soluções e mesmo assim somos melhores a encontrar soluções do que a implementá-las", admitiu.

Manuel Pizarro garantiu, no entanto, que o Governo está totalmente disponível para apoiar todas as entidades com actuação nesta área a "combater a infecção e a tratar de forma humanizada" os doentes que dela sofrem.

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