O Tribunal de Coimbra aceitou hoje submeter a exame psiquiátrico uma ex-feirante de Coimbra que terá sido apanhada a conduzir 40 vezes sem carta, a última três dias após ter sido condenada pelo mesmo crime.
A perícia foi requerida pelo próprio advogado, que considerou "demasiado estranho que a arguida, condenada em tão curto espaço de tempo volte a insistir, sem que haja qualquer perturbação psiquiátrica".
Cristina Araújo foi detida pela GNR três dias após ter sido condenada a um ano de prisão por condução sem habilitação legal e cerca de um mês após idêntica condenação.
Desta vez, garante que não estava a conduzir quando foi abordada pelos militares da GNR, em Ançã, daí que o causídico tenha solicitado ao tribunal um exame ao local, para aferir se os agentes tinham ou não visibilidade do carro da arguida.
A ex-feirante admite conduzir há 20 anos, apesar de nunca ter possuído habilitação legal, e diz já se ter submetido nove vezes a exame de código, reprovando sempre.
O seu advogado, em declarações à Lusa, defendeu hoje que, para situações como a da sua constituinte deveria ser possível a realização de um exame oral ou de outro género, tendo em conta as fracas habilitações.
"Pessoas com a quarta classe, que só sabem ler e escrever e não estão habituadas a trabalhar com aquele tipo de maquinaria correm o risco de, apesar de possuir os conhecimentos necessários, não conseguir fazer o exame", sustentou.
Por outro lado, acrescentou, o preço da carta de condução "não será acessível a todas as bolsas".


