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Relações inter-religiosas “não têm que ser necessariamente difíceis”

Comunidade Islâmica de Lisboa “magoada” com as palavras de José Policarpo

14.01.2009 - 17:57 Por Lusa

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Abdool Vakil refere que a Comunidade Islâmica sempre procurou o diálogo com as outras religiões Abdool Vakil refere que a Comunidade Islâmica sempre procurou o diálogo com as outras religiões (Pedro Cunha (arquivo))
A Comunidade Islâmica de Lisboa ficou "magoada" com as palavras do cardeal-patriarca de Lisboa que ontem à noite avisou as portuguesas para o "monte de sarilhos" em que ficariam caso escolhessem casar com muçulmanos.

"Ficámos de alguma forma magoados com a escolha das palavras do senhor patriarca de Lisboa, relativamente à nossa Comunidade e ao diálogo que temos procurado com todas as confissões religiosas e, em particular, com as religiões cristãs", lê-se no comunicado que o presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Magid Vakil, enviou à Lusa.

Vakil lembrou as "relações fraternas e cordiais" e o "diálogo frutífero" que existe entre as duas religiões em Portugal, tendo ficado por isso surpreendido com as últimas declarações José Policarpo.

Para o presidente da Comunidade Islâmica, as palavras do Policarpo são lidas como "uma chamada de atenção para o necessário respeito pelas diferenças" religiosas e conhecimento das outras religiões, para que uma relação consiga se manter e seja estável.

"O que não será necessariamente uma dificuldade quando estão em causa cidadãos do mesmo país que, embora professando religiões diferentes, partilham da mesma cultura e interagem na mesma sociedade", conclui Abdool Vakil. No entanto, o presidente da Comunidade lamenta que em Portugal exista uma grande ignorância do outro em relação à religião islâmica.

Falando na tertúlia "125 minutos com Fátima Campos Ferreira", que decorreu no Casino da Figueira da Foz, D. José Policarpo deixou um conselho às jovens portuguesas quanto a eventuais relações amorosas com muçulmanos, afirmando: "Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam".

Questionado por Fátima Campos Ferreira se não estava a ser intolerante perante a questão do casamento das jovens com muçulmanos, D. José Policarpo disse que não. "Se eu sei que uma jovem europeia de formação cristã, a primeira vez que vai para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas, imagine-se lá", ripostou D. José Policarpo à jornalista e anfitriã da tertúlia, manifestando conhecer "casos dramáticos" que, no entanto, não especificou.

Na sua intervenção, o Cardeal Patriarca de Lisboa considerou "muito difícil" o diálogo com os muçulmanos em Portugal, observando que o diálogo serve para a comunidade muçulmana demarcar os seus espaços num país maioritariamente católico.

"Só é possível dialogar com quem quer dialogar, por exemplo com os nossos irmãos muçulmanos o diálogo é muito difícil", disse D. José Policarpo durante a tertúlia.

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D. José Policarpo: «Pensem duas vezes em casar com um muçulmano»

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O Sr. Cardeal perdeu a oportunidade de estar calado. Porque será que ele tem de advertir as ...

Pedro Dos Santos

26.01.2010 21:34

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