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Venda ilegal está a aumentar e preocupa autoridades

Componentes das lendárias Kalashnikov já se fabricam em garagens de Lisboa

07.02.2010 - 08:37 Por José Bento Amaro

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Armas apreendidas pela GNR, em Santo Tirso, no Verão de 2008 Armas apreendidas pela GNR, em Santo Tirso, no Verão de 2008 (Paulo Pimenta (arquivo))
Negócio ilegal de armas de fogo aumenta e reflecte-se nos índices de crime violento. O número de roubos com armas de fogo em Portugal aumentou 60 por cento em 2008.

Existem cerca de 1,4 milhões de armas registadas em Portugal. O número das que não possuem qualquer registo é uma incógnita, mas admite-se que possam ser tantas quantas as que estão licenciadas. É que as diversas polícias apreendem uma média diária de quatro armas de fogo, entre indocumentadas e transformadas, utilizadas para a prática de crimes. Em Lisboa, uma arma compra-se por 2000 euros. E, de acordo com a polícia, há réplicas da metralhadora Kalashnikov a serem fabricadas na periferia da capital

O aumento do número de armas de fogo em Portugal pode, de algum modo, confirmar-se com a análise de dados estatísticos. A Polícia Judiciária (PJ), a quem compete a investigação da criminalidade mais violenta, registou, em 2008, 3172 roubos praticados com recurso a armas de fogo. Esse número havia sido, um ano antes, de 1980 ocorrências. Houve, no espaço de apenas um ano, um acréscimo de 60 por cento.

O último Relatório de Segurança Interna também fornece algumas pistas, com a PSP, a GNR e a PJ a indicarem a apreensão de 4600 armas de fogo, 310 mil munições e 5,5 quilos de explosivos. Quanto aos inquéritos abertos por esta força relativamente aos crimes de detenção ou tráfico de armas, há a assinalar 1989 casos em todo o ano. Foi o sexto crime mais investigado, sendo que, em relação a 2007, teve um aumento de 548 casos.

Outro indicador que exemplifica o aumento da utilização de armas de armas é o seu uso nos casos de violência doméstica. Em 2009, foram registados 81 crimes desta categoria (não só homicídios, mas também agressões e ameaças) com recurso a pistolas, revólveres ou caçadeiras.

De acordo com as estatísticas da PSP, a maior parte das armas registadas em Portugal são caçadeiras, havendo actualmente cerca de 800 mil licenciadas. Quanto às armas de defesa (pistolas de calibre até 6,35 milímetros e revólveres até .32) são cerca de 24 mil. As restantes armas declaradas às autoridades são de desporto e de colecção. A declaração da existência destas últimas é obrigatória, mesmo quando se trata de exemplares muito antigos. São-lhes retirados os mecanismos que permitem os disparos e os canos são soldados.

Os preços das armas em Portugal são determinados não só pelo modelo que se pretende comprar, mas, também, pela disponibilidade financeira do comprador. Esta regra aplica-se, sobretudo, nos negócios de armas ligeiras ilegais.

De acordo com a polícia, comprar uma arma de qualidade na periferia de Lisboa pode custar até 2000 euros. Uma pistola alterada, de qualidade duvidosa e que esteja "suja" (já disparada no decurso de um assalto e, portanto, susceptível de ser identificada) tem preços bem mais reduzidos, atingindo um máximo de 200 euros.

3000 euros por uma AK 47

"Muitas vezes os preços são determinados pelo próprio aspecto do comprador. Um totó que se chegue ao vendedor e que não saiba dizer exactamente o que pretende ou que dê a entender ter algum dinheiro para gastar acaba sempre por pagar mais", explica um agente da PSP.

As diversas forças policiais têm vindo a apreender, embora em números ainda pouco significativos, algumas metralhadoras. Trata-se, por vezes, de réplicas das célebres espingardas de assalto russas Kalashnikov AK 47. Segundo investigadores policiais que pedem o anonimato, existem já alguns locais, pequenas oficinas artesanais, em garagens em bairros de Lisboa como os Olivais, onde se fabricam alguns componentes destas armas. A polícia suspeita que em Lisboa do envolvimento de asiáticos na comercialização ilegal destas armas, as quais podem custar até mil euros.

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