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Maternidades

Comissão: decisão de encerrar blocos de parto foi técnica e não política

11.05.2006 - 18:27 Por Lusa

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Até 30 de Junho, o Governo pretende encerrar blocos de partos das maternidades de cinco hospitais Até 30 de Junho, o Governo pretende encerrar blocos de partos das maternidades de cinco hospitais (Nuno Veiga/Lusa)
Os membros da comissão nacional que propôs o encerramento de onze blocos de parto sustentaram hoje, em conferência de imprensa, que a recomendação foi técnico-científica e não política e que já tinha sido apresentada ao anterior ministro da Saúde.

Os membros da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neo-natal afirmaram que as conclusões do seu parecer são as mesmas do relatório entregue pela mesma comissão, quando era presidida por Albino Aroso, ao ex-ministro da Saúde do Governo PSD/CDS-PP Luís Filipe Pereira.

Octávio Cunha, do Hospital de Santo António, no Porto, criticou mesmo o anterior governante por "ter este documento em cima da mesa e não ter tomado nenhuma decisão".

Os elementos da comissão contestaram também os resultados de um estudo divulgado hoje pelo jornal "Diário de Notícias", afirmando que as maternidades que registam mais casos de mortalidade são precisamente as que estão preparadas para receber as grávidas e recém-nascidos de risco.

Segundo a comissão, isto acontece porque as unidades recebem os casos mais complicados que lhes são enviados pelas unidades mais pequenas e sem condições para realizarem estes partos

Jorge Branco, director da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e presidente da comissão, sublinhou que cinco por cento dos partos ocorrem sem as adequadas condições de segurança. "Daqui surge um parecer exclusivamente técnico-profissional que não tem nada de político", sublinhou o responsável, lamentando o clima de "ansiedade" e de "guerra" que se vive actualmente.

Os dez especialistas presentes na conferência de imprensa, entre membros da actual comissão e das duas anteriores, recordaram ainda o processo de encerramento de 150 blocos de parto há 15 anos e salientaram que as populações "nunca reivindicaram a reabertura dos locais de parto nem se arrependeram das alternativas colocadas à disposição".

A comissão sublinhou ainda que "não vai ser encerrada nenhuma maternidade". O encerramento dos blocos de parto, explicaram, não significa que acabe a vigilância médica durante a gravidez e após o parto, que continuará a ser assegurado pelos profissionais das maternidades.

Até 30 de Junho, o Governo pretende encerrar blocos de partos das maternidades do Hospital Santa Maria Maior (Barcelos), do Hospital de Santa Luzia (Elvas), do Hospital Distrital de Lamego, do Hospital de São Miguel (Oliveira de Azeméis), e do Hospital Conde de São Bento (Santo Tirso).

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