A Comissão de Utentes da Linha de Sintra (CULS) criticou hoje a insegurança nas estações e comboios desta linha ferroviária exigindo reforço policial e mais meios técnicos como novos sistemas de telecomunicações para os polícias ferroviários.
"A polícia ferroviária foi criada em 1995 com 62 homens e actualmente, as últimas informações que temos é que existem somente 50 elementos a fazer o patrulhamento da linha de Sintra", disse hoje o porta-voz da CULS, Rui Ramos.
De acordo com Rui Ramos os períodos mais críticos de insegurança decorrem à noite, sobretudo através de furtos de telemóveis perpetuados por grupos de jovens, junto aos maiores aglomerados populacionais onde "existem zonas complicadas em termos sociais".
O responsável falava hoje após a notícia de um conflito entre dois grupos, aparentemente rivais, na linha ferroviária de Sintra e que este domingo à noite deixou três pessoas feridas, uma delas em estado grave. No âmbito deste conflito a PSP deteve um dos indivíduos e apreendeu duas facas.
O responsável avança que a linha de Sintra é utilizada diariamente por "210 mil pessoas que se deparam com um número insuficiente de polícias" nos comboios e estações. Segundo o responsável, além do número insuficiente, "a polícia ferroviária debate-se com poucos meios técnicos".
"De Agualva-Cacém para Sintra o sistema de telecomunicações deixa de funcionar e os polícias têm que usar o próprio telemóvel para comunicar com a esquadra de Monte Abraão. Os fardamentos também necessitam de ser actualizados, uma vez que, quando os polícias têm que correr atrás de alguém chegam a rasgar a farda que é inadequada àquele trabalho ", disse.
Rui Ramos referiu que é difícil afirmar "se a criminalidade está a aumentar na linha de Sintra", considerando que "as estatísticas da polícia ferroviária não são fiáveis", porque muitas vezes as pessoas agredidas ou assaltadas entendem ser uma "perda de tempo" apresentar queixa.
"Muitas vezes a polícia não consegue prender os agressores e as pessoas têm que deslocar-se à esquadra para ouvir que as queixas foram arquivadas. É uma perda de tempo", disse. O porta-voz da CULS lamenta que a polícia ferroviária tenha que encaminhar para a esquadra as pessoas que não compram bilhetes, situação "que diminui a presença policial na linha".


