Colocação de professores: cerca de 40 mil candidatos ficam de fora 
06.07.2009 - 20:21 Por Clara Viana
Serão perto de 40 mil os professores que não encontrarão um lugar nas escolas, revelam os resultados do concurso para a colocação de docentes hoje divulgados pelo Ministério da Educação. Dos 30 mil professores que foram já colocados na primeira fase do concurso nacional, mais de metade vão ter, pela primeira vez, um “vínculo permanente” a uma escola, disse ao PÚBLICO o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, referindo-se aos professores que transitaram dos chamados Quadros de Zona Pedagógica (QZP), entretanto extintos, para os novos Quadros de Agrupamento.
Econtram-se nesta situação 17 mil professores. Estão entre os que Valter Lemos apontou como principais beneficiários – os que garantiram um “vínculo permanente”. “Nos QZP podiam ser colocados todos os anos em escolas diferentes da sua zona”, recorda.
Os resultados do concurso deste ano vão comprovar que aos professores ficou garantida “uma muito maior estabilidade”, frisou.
Já o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, considera que, em Dezembro, quando terminarem as colocações de professores, a classe docente pode vir a confrontar-se com a situação “mais catastrófica de sempre” no que respeita à garantia de emprego. Valter Lemos diz que esta tem sido reacção de sempre da Fenprof: “Desde 1991, a Fenprof tem dito, sobre todos os concursos, que é o pior de sempre”.
Os resultados da primeira fase do concurso para a colocação de professores foram divulgados hoje pelo Ministério da Educação. Segundo os dados avançados pelo ministério, serão perto de 40 mil os professores que não encontrarão um lugar nas escolas. Valter Lemos confirma, mas sublinha que nenhum destes teve ligação às escolas públicas nos últimos dois anos: “Ou nunca leccionaram, ou estão no ensino particular ou nas actividades de enriquecimento curricular e candidataram-se agora ao ensino público. A maioria tem um emprego”.
Mário Nogueira acusa o ministério de, com estes dados, estar a fazer uma “pura adivinhação”. “Ninguém pode saber agora quantos irão ser colocados na segunda fase. Só se saberá depois de as escolas definirem quais são as suas necessidades e isso só é feito depois de avaliados” os resultados da primeira fase.
417 entram para os quadros
Segundo o Ministério da Educação, dos 111.072 candidatos foram colocados, na primeira fase, 30.146. A esmagadora maioria destes já pertencia aos quadros, sublinha a Fenprof, esclarecendo que estas colocações resultam da transferência de um quadro que foi extinto (Quadro de Zona Pedagógica) para outro que foi criado de novo e se estreia neste concurso, o Quadro de Agrupamento. Mas nesta fase cerca de 12 mil docentes que pertenciam a estes Quadros de Zona “não obtiveram colocação no novo quadro criado”, denuncia a Fenprof.
Valter Lemos volta a confirmar, mas diz que a maioria destes ficará numa situação melhor: “Na segunda fase, que termina em Agosto serão colocados 9.500 professores dos QZP e 13 mil contratados. Quase todos poderão ficar na mesma escola por quatro anos”.
Os resultados da primeira fase mostram também que dos cerca de 50 mil candidatos à entrada nos quadros, só 417 conseguiram ou seja, frisa a Fenprof, 99 por cento ficaram de fora.
Também a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) mostra “muita apreensão”. “Se [o ministério] sabe que há lugar para mais 38.000 professores [vagas anunciadas para a segunda fase], por que razão não abre mais vagas de quadro para esta primeira fase? É que na segunda fase não são vagas de quadro e aí está a questão. Se foram colocados 30.000 professores e há lugar para mais 38.000, então as vagas de quadro não estão bem redimensionadas”, disse à Lusa a dirigente da FNE Lucinda Manuela.
Este ano, pela primeira vez, os docentes são colocados por quatro anos lectivos.
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