Clima: Rice diz que cada país deve tomar decisões de acordo com os seus interesses

27.09.2007 - 18:44 Por AFP, PUBLICO.PT
Para tentar acabar com as dúvidas, os Estados Unidos insistiram hoje que levam “as alterações climáticas muito a sério” e Condoleezza Rice disse que cada país deve tomar as suas decisões, de acordo com os seus interesses. Hoje começou em Washington uma conferência ministerial de dois dias que vai reunir os países mais poluidores do planeta.
“As alterações climáticas são um problema real e crescente, para o qual os seres humanos contribuem”, reconheceu a secretária da Estado norte-americana, Condoleezza Rice, falando aos delegados de 16 países convidados pelos Estados Unidos para esta reunião “das maiores economias sobre a segurança energética e alterações climáticas”.
“Queremos que a conferência sobre as alterações climáticas na Indonésia [em Dezembro] seja um sucesso”, acrescentou. Nesta conferência, em Bali, a comunidade internacional deverá negociar o sucessor do Protocolo de Quioto, que termina em 2012, com um plano de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE).
Mas a responsável americana advertiu que não existe “uma solução padrão para todo o mundo”. Rice pediu objectivos comuns a longo prazo de redução dos GEE e “objectivos nacionais a médio prazo”. “Cada país deve tomar as suas próprias decisões, de acordo com as suas necessidades e os seus interesses”, insistiu. Na verdade, desde que recusaram ratificar Quioto, em Março de 2001, os Estados Unidos sempre recusaram categoricamente serem obrigados a reduzir as suas emissões. Posição que tem merecido críticas da comunidade internacional, dado que este é o país que mais emite GEE.
Os europeus, bem como o Canadá e o Japão, preferem objectivos vinculativos de redução dos GEE em 50 por cento até 2050.
Jim Connaughton, presidente do Conselho de Ambiente da Casa Branca, insistiu na “notável convergência de interesses” dos participantes nesta conferência. “Existem alguns pontos de desacordo mas esta reunião é um importante contributo para o sucesso dos esforços da ONU”.
Na linha com o que disse Rice, Connaughton salientou que cada país tem “uma capacidade diferente para reduzir as suas emissões”. “Os países que têm uma população em declínio podem avançar mais depressa e aqueles que têm uma população em crescimento ou que, como a China e a Índia, se industrializaram rapidamente, irão mais lentamente”.
Connaughton acentuou os esforços tecnológicos e as parcerias económicas (nomeadamente nuclear) para reduzir os GEE.
O responsável da ONU para a Convenção sobre alterações climáticas, Yvo de Boer, repetiu que é preciso “um forte compromisso dos países industrializados e um esforço reforçado dos países em desenvolvimento” para reduzir as emissões poluentes e apelou a financiamentos para ajudar os países mais pobres.
Cinquenta manifestantes protestaram em frente ao Departamento de Estado norte-americano, gritando: “Parem já com o sobre-aquecimento global”.

