Clima: Greenpeace sela edifício do Conselho Europeu em Bruxelas

10.03.2009 - 11:08 Por AFP, PUBLICO.PT
Uma centena de activistas da organização ecologista internacional Greenpeace selou esta manhã as saídas do edifício do Conselho Europeu em Bruxelas, onde estão reunidos os ministros das Finanças, que analisam o financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a combaterem as alterações climáticas. Os ecologistas pedem um maior compromisso financeiro pela protecção do clima.
“Save the climate” (Salvem o clima) e “Bail out the planet” (Plano de resgate para o planeta) podem ler-se em alguns cartazes nas mãos dos manifestantes. Uma dezena deles foram detidos pela polícia que os colocou em carrinhas.
Segundo a Greenpeace, a manifestação conta com a participação de mais de 300 activistas de 21 países - de 16 países da União Europeia mais a Suíça, Turquia, Rússia, Israel e Líbano - que selaram as entradas do edifício e se recusam a deixar os políticos sair antes de se comprometerem.
Para a organização ecologista, os países em desenvolvimento precisam de, pelo menos, 110 mil milhões de euros por ano, em 2020, para reduzirem as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e enfrentarem os impactos negativos das alterações do clima.
A Greenpeace propõe que o pacote financeiro seja distribuído em 40 mil milhões por ano para colocar os países mais pobres no caminho da redução das emissões; outros 40 mil milhões anuais para permitir-lhes defender-se das alterações climáticas e 30 mil milhões de euros para parar a desflorestação através de um fundo "florestas pelo clima".
Vestidos de impermeáveis amarelos e azuis, os manifestantes selaram a maioria das saídas do edifício Justus Lipsius, no coração do bairro europeu. Apenas uma foi reaberta ao final da manhã, segundo um responsável pela segurança do Conselho.
"Os nossos ministros das Finanças estão a dar milhões dos nossos impostos para bancos falhados e para os seus gestores. Estamos aqui para garantir que eles põem dinheiro na mesa para resolver o problema das alterações climáticas", explicou Thomas Henningsen, director de campanha pelo Clima da Greenpeace Internacional, em comunicado enviado ao PÚBLICO.
A Greenpeace propõe que a contribuição da cada país para este pacote financeiro seja baseada na sua capacidade para pagar e no seu grau de responsabilidade pelas alterações climáticas. "Baseado nisto, os Governos europeus deverão contribuir com 35 mil milhões por ano, o equivalente a 1.30 euros por semana por cidadão europeu. O preço de um bilhete de autocarro".
“As decisões tomadas hoje vão influenciar directamente a posição da Europa na conferência climática das Nações Unidas em Dezembro”, em Copenhaga, de onde deverá sair o sucessor do Protocolo de Quioto, comenta a Greenpeace Internacional.
Os chefes de Estado europeus deverão reunir-se em Bruxelas nos dias 18 e 19 de Março para “darem o seu veredicto sobre quanto dinheiro vai a União Europeia oferecer para a resolução das alterações climáticas”, acrescenta a organização.
Segundo a Greenpeace, cientistas de topo estão reunidos esta semana em Copenhaga e deverão alertar para as consequências da inacção, já nesta geração, na área das alterações climáticas.

