Clima: Bruxelas seguiu critérios "justos" e as "lógicas certas", defende Humberto Rosa

23.01.2008 - 17:16 Por Helena Geraldes
O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, considera que o pacote de medidas apresentado esta manhã pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, segue critérios "justos" e "interessantes" e as "lógicas certas". Portugal surge na figura com uma "situação confortável".
Poucas horas depois de José Manuel Durão Barroso ter apresentado as novidades da política climática dos 27, numa sessão extraordinária no Parlamento Europeu, o secretário de Estado do Ambiente português comentou ao PÚBLICO que, "à primeira vista", a "Comissão Europeia seguiu critérios interessantes".
Humberto Rosa salientou o facto da distribuição dos esforços de redução nacionais passar a ser ditada pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita, tendo em conta a riqueza de cada país. "É interessante o PIB contar para os chamados sectores difusos" (aqueles que restam do sector industrial e electroprodutor), como a agricultura e os resíduos.
Outra vantagem é, para o governante, a substituição dos 27 planos nacionais de atribuição das licenças de emissão por um único plano europeu, algo que considera "mais vantajoso". "Com 27 planos nacionais diferentes torna-se difícil ter critérios uniformes e comparáveis a nível europeu".
As medidas propostas serão agora analisadas por vários ministérios, entre eles o do Ambiente e da Economia. "Mas, à partida, não há nenhum risco estratégico" para Portugal. De facto, o país apresenta-se com uma "situação confortável", nomeadamente quanto às metas dos biocombustíveis - antecipadas em dez anos - e das energias renováveis. "Temos potencial, metas e investimento" para cumprir o Protocolo de Quioto.
O pacote de medidas, que Durão Barroso considerou o mais completo do mundo para combater as alterações climáticas, vai afectar "toda a sociedade (...). É isso mesmo que se deseja", considerou Humberto Rosa. "As alterações climáticas são, por si, um sinal da insustentabilidade em geral. Quer as indústrias, quer os privados, quer as pessoas nas suas casas, têm de receber um impulso para mudar de hábitos, sem mudar o seu bem-estar".
As medidas apresentadas "têm as lógicas certas". É preferível ter os custos agora, que são "comportáveis", do que mais tarde.
Sobre o sequestro e armazenamento de carbono, "tecnologia de transição" prevista no pacote, Humberto Rosa comentou que lhe "parece muito importante apostar" nestas soluções. "Tudo indica que o mundo vai continuar, ainda por muito tempo, a utilizar combustíveis fósseis". Por isso, considera "urgente" apostar nestas tecnologias.
A Comissão Europeia incluiu o nuclear como fonte de energia limpa que pode ajudar a União a cumprir as metas de redução de emissões até 2020. "Portugal tem um rumo muito claro sobre esta questão, ou seja, uma aposta nas verdadeiras renováveis. Mas compreende-se, no contexto europeu, que existam países a apostar no nuclear, uma "opção legítima". Quanto a ser uma energia limpa, Humberto Rosa considera que existe "um excesso de linguagem".

