O Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) não está a realizar intervenções hoje devido à greve dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, revelaram fontes hospitalares e sindicais.
Segundo uma fonte hospitalar "é a primeira vez em 21 anos de existência do serviço que este não está a realizar cirurgias", situação que se deve repetir sexta-feira, segundo e último dia da paralisação.
O presidente do SCTS, Almerindo Rego, confirmou que a adesão dos técnicos no Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos HUC foi total e que só se realizam as cirurgias urgentes. De acordo com a mesma fonte hospitalar, cerca de uma dezena de doentes não vão ser operados no centro de Coimbra em virtude da paralisação.
A mesma fonte recordou que greves convocadas anteriormente tiveram impactos reduzidos na actividade do serviço.
Os seis cardiopneumologistas deste centro - os técnicos que asseguram a circulação extra-corporal do sangue durante a cirurgia - fizeram greve, adiantou. Esta semana, o director do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos HUC, Manuel Antunes, advertiu que se demitiria do cargo caso a administração persista em mexer na sua equipa.
O cirurgião opõe-se à proposta do conselho de administração, decorrente do processo de empresarialização dos HUC, para que alguns enfermeiros e profissionais da sua equipa reduzam o horário semanal de 42 para 35 horas, contratando outros para compensar as restantes horas.
Segundo um comunicado do Sindicato das Ciências e Tecnologias da Saúde (SCTS), a adesão à greve no período entre as 00:00 e as 08:00 foi de 100 por cento a nível nacional. A greve convocada pelo SCTS visa "a revisão da carreira dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, que se arrasta há nove anos, o combate ao crescente trabalho precário e o desemprego que cresce exponencialmente no sector".


