As cinco frentes de incêndio que lavravam na região de Manteigas, no Parque Natural da Serra da Estrela, no distrito da Guarda, foram controladas, tendo o fogo sido dado como circunscrito esta tarde, de acordo com o coordenador do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS).
Em declarações à TSF, António Fonseca explicou que as chamas foram controladas devido à ajuda das condições meteorológicas, nomeadamente o aumento da humidade do ar, e ao número de bombeiros no terreno, que, ao longo do dia de hoje, foram aumentando, chegando aos 257, segundo o último balanço do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
O incêndio que lavrou ao longo de três dias no Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) foi já considerado um dos piores que atingiu a região nos últimos 20 anos. Segundo o director daquela área protegida, que falava à Lusa, "o incêndio está a provocar danos enormes em termos económicos, sociais e ambientais".
Fernando de Matos revelou que, de acordo com um valor estimativo apurado esta manhã, o incêndio que lavra na Serra da Estrela destruiu já cerca de 2500 hectares do parque natural, acrescentando que desde o início do ano já ardeu dez por cento daquela área protegida, num total de 10 mil hectares.
"Este ano os fogos têm atingido o PNSE com especial intensidade", sublinhou o responsável, recordando que em 2004 arderam apenas 340 hectares, um dos valores mais baixos se sempre registados no PNSE.
Activo em "pleno coração do Parque Natural da Serra da Estrela", o fogo atingiu as encostas do Vale do Zêzere e estava a propagar-se para o planalto superior, zonas onde se concentram "os habitats mais importantes do PNSE e do Sítio Serra da Estrela da Rede Natura 2000", explicou Fernando Matos.
Urzais, zimbrais, medronhais, prados de montanha e outros habitats, bem como formações florestais, foram já destruídos pelas chamas num balanço provisório em que, segundo o director do PNSE, a vertente ambiental é a mais atingida.
O Plano Municipal de Emergência foi activado na noite de ontem em Manteigas, estando ainda no terreno um total de 257 bombeiros, apoiados por 62 viaturas e três aeronaves.
Em Portugal cointinental, estão ainda em acções de combate, rescaldo e vigilância 623 bombeiros, apoiado por 161 veículos, sete meios aéreos e 125 militares.


