Circuncisão masculina pode evitar milhões de infecções pelo VIH em África

20.07.2010 - 20:06 Por Reuters
Mais de quatro milhões de novas infecções pelo VIH poderão ser prevenidas até 2025 na África subsariana se 80 por cento dos homens forem circuncidados.
Esta conclusão foi apresentada hoje na XVIII Conferência Internacional de sida a decorrer em Viena, Áustria, até o final da semana. Se este sistema de prevenção da doença fosse implementado, os investigadores defendem que a região pouparia 15,67 mil milhões de euros em custos de saúde relacionados com o VIH entre 2009 e 2025.
“Com os fundos mundiais emagrecidos, temos que nos focar em procedimentos comprovados que previnam a transmissão do VIH como a circuncisão masculina”, disse Krishna Jafa, um especialista em sida do grupo de ajuda sanitária Population Services International (PSI).
Dois terços das 33,4 milhões de pessoas seropositivas vivem em África. Estima-se que só em 2008, tenha havido na região 1,9 milhões de novas infecções. Investigadores citados pela Organização Mundial de Saúde defendem que a circuncisão masculina diminui o risco de contrair o vírus em 60 por cento.
O estudo apresentado pelo PSI foi feito no Zimbabwe, onde se tentou pôr em prática um modelo chamado MOVE, que tem o objectivo de aumentar o número de circuncisões masculinas através de técnicas melhoradas, mais treino, equipamento e pessoas. Através do estudo piloto, dois médicos e três enfermeiros foram capazes de fazer quatro circuncisões ao mesmo tempo, aumentando o número de operações de três para dez por hora.
Ao longo de 12 meses foram realizadas 6500 operações. Não houve um aumento da percentagem de homens a queixarem-se de efeitos secundários, o que mostrou que a qualidade do procedimento não diminuiu.
Na África subsariana, mais de 41 milhões de homens poderiam ser beneficiados com este procedimento. Nos últimos anos só 150 mil foram circuncidados.

