Cerca de cinco mil profissionais das forças de segurança participaram esta tarde, em Lisboa, na manifestação agendada pelas associações sindicais para contestar o novo regime de aposentação e a equiparação dos seus subsistemas de saúde à ADSE.
Os manifestantes das diversas forças de segurança, alguns deles fardados, concentraram-se na Praça do Comércio, de onde partiram, ao final da tarde, para o Palácio de Belém, onde voltaram a pedir a intervenção do Presidente da República.
Nas mãos dos manifestantes eram visíveis cartazes com frases como "até o que o Salazar nos deu nos tiraram" ou "Sampaio foste à Cova da Moura ouvir quem não sabe o hino nem paga impostos e desprezaste quem te guarda as costas".
Contudo, o centro das atenções foi um burro, de matrícula no dorso, trazido para a manifestação pelo Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) e pela ASPIG (Associação Sócio-profissional Independente da Guarda). Segundo os promotores do protesto, o animal representa "o estado em que se encontram muitas viaturas da PSP e da GNR".
Por seu lado, a Associação dos profissionais da Guarda (APG) decidiu fardar um boneco de trapos e sentá-lo numa cadeira de rodas, numa alusão ao facto de o Governo ter aumentado de 36 para 40 anos de serviço o tempo necessário para a aposentação dos guardas.
Esta foi a terceira manifestação das forças de segurança em quatro meses, mas é a primeira a reunir todas as associações profissionais, já que além dos sindicatos afectos à Comissão Coordenadora Permanente dos Sindicatos e Associações das Forças e Serviços de Segurança, que convocou o protesto, contou também com a participação da Associação Sindical dos Oficiais de Polícia, do SPP, da ASPIG e de representantes do corpo da guarda florestais.
Os sindicatos e as associações contestam as alterações introduzidas no regime de assistência na doença, que equipara os seus subsistemas de saúde ao sistema geral da função pública (ADSE), mas também o congelamento da progressão automática nas carreiras profissionais e novo regime de aposentação e pré-aposentação
O novo sistema de aposentações mantém a idade da reforma nos 60 anos (na função pública está fixado nos 65 anos), mas aumenta o tempo de serviço de 36 para 40 anos para se atingir a reforma completa.


