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Cinco destinos para um vestido de noiva

02.08.2010 - 15:31 Por Raquel Ribeiro

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Odete Salgueiro, costureira, com o vestido de noiva que fez para a filha Odete Salgueiro, costureira, com o vestido de noiva que fez para a filha (Miguel Manso)
O que fazer com um vestido que só se usou uma vez, no dia D? Guardá-lo num baú no sótão com bolas de naftalina, tingi-lo, transformá-lo, dá-lo, reutilizá-lo. Quatro mulheres contam o que fizeram aos seus vestidos (e uma explica para que serve um véu sem nunca se ter casado).

Madame de Bovary foi enterrada no seu vestido de noiva. Flaubert deu esse trágico destino à sua personagem, Emma, e ao seu vestido também. Se tivesse sido guardado num baú todos estes anos (ainda que ficcionais), estaria talvez como o vestido de Grace Kelly, que não viajou para a exposição no Victoria and Albert, em Londres, porque é demasiado frágil: a renda de Bruxelas que cobre todo o vestido de seda está a deteriorar-se. Quando a actriz americana se casou, em 1956, com o príncipe Rainier do Mónaco (e se tornou princesa), o seu vestido foi o ícone que materializou o conto de fadas. Muitas mulheres o copiaram. E talvez muitas se perguntem hoje em que condições estarão aquelas rendas dos anos 50, no baú do sótão, conservadas com bolas de naftalina.

Maria Antónia Palla, Vicky Fernandes, Ana Vidigal, Xana Nunes e Bárbara Guimarães representam cinco gerações de mulheres, com diferentes ideias sobre o casamento e o simbolismo do vestido de noiva. Umas foram noivas várias vezes; outras, tendo-se casado, recusaram-se a sê-lo, outra ainda nunca se casou, mas nem por isso, para si, o vestido teve menos importância.

Um conto de fadas

Chamem-lhe romântica, diz a empresária Vicky Fernandes, 50 anos, "mas realmente tenho uma profunda paixão pelo casamento. É um momento único na vida de uma mulher e o vestido é o principal elemento. Todas as mulheres que passaram por isso sabem a grande ansiedade que é a escolha do vestido de noiva". Casou -se pela primeira vez aos 23 anos, pela Igreja, era ainda estudante na Faculdade de Direito, no Verão, entre uma época de exames e a segunda fase. Foi há 27 anos. "Não quisemos adiar mais, por isso o fizemos nessa altura. Estava em plenos exames, antes e depois do casamento. Cada vez que ia fazer uma prova do vestido, tinha de o apertar novamente, porque estava sempre a perder peso." Eram dois nervos em franja: o casamento e os exames. Com os nervos, as noivas perdem peso para caberem no vestido, mas Vicky Fernandes aconselha: "Recomendo a quem queira emagrecer que se case em época de exames!"

Vicky integrou há alguns anos a organização das Noivas de Santo António, a convite do então presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues. Entretanto, escreveu o livro Saber Estar (ed. Esfera dos Livros) onde dedica um capítulo ao casamento. Não é, portanto, por acaso que Vicky Fernandes escreve: "Quando falamos em vestidos de noiva, somos envolvidos por uma magia que nos transporta para um conto de fadas." Fernandes não duvida de que "todas as mulheres que se vestiram de noiva escolheram o vestido dos seus sonhos. Daí que esse seja também o segredo mais bem guardado dos casamentos". Porque não importa "quantas vezes uma pessoa se case, o vestido de noiva é só um, o primeiro".

O seu foi escolhido a dedo, com a ajuda da mãe, depois de experimentar vários. "Sabia exactamente o que queria, por isso demorei a encontrá-lo." Era branco de marfim, ainda hoje, diz, "a cor perfeita para um vestido de noiva, porque o romantismo desta é intemporal". O vestido de noiva não foi sempre branco. Foi a partir do início do século XIX, com o casamento de Napoleão e Josefina que "toda a Europa senhorial passa a vestir de branco, não porque a sociedade e as famílias queiram veicular a virtude das suas donzelas, mas porque se deseja imitar os franceses", escreve a antiga directora do Museu do Traje Madalena Braz Teixeira, no catálogo da exposição Traje de Noiva 1800-2000, de 1996. Assim se casou a rainha D. Maria II em 1836 e assim também se casou Vitória de Inglaterra, em 1840. A moda pegou.

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