A CGTP considera que o número de acidentes de trabalho em Portugal não está a diminuir, ao contrário do que afirma o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
"Tudo indica que não haja uma diminuição de acidentes de trabalho em Portugal", disse Armando Farias, referindo-se ao relatório da OIT, que considera que o número de acidentes laborais fatais estão a diminuir nos países industrializados.
"Não é assim tão homogéneo", considerou o dirigente da CGTP, reconhecendo que há anos em que os acidentes podem diminuir em Portugal em resultado da retracção económica, devido à diminuição das actividades e do emprego.
O relatório da OIT, que cita dados de 2001, refere que foram comunicados 368 acidentes laborais fatais, mas a organização estima que tenham ocorrido 414.
Armando Farias alerta que Portugal tem um problema no atraso na divulgação dos indicadores relacionados com os acidentes de trabalho, bem como na viabilidade dos mesmos, pelo que defendeu a reestruturação do sistema estatístico.
A necessidade de reformulação do sistema estatístico já foi reconhecida no acordo tripartido de 2001, em sede de concertação social, mas ainda não foi concretizada, lamentou o dirigente da CGTP.
O responsável sublinhou ainda que se assiste a um aumento da precarização do trabalho, com horários mais longos e ritmos intensivos de trabalho.
De acordo com o relatório da OIT, cerca de 2,2 milhões de pessoas morrem anualmente em todo o mundo devido a acidentes no trabalho ou a doenças relacionadas com a profissão.


