Centenas marcharam em Lisboa pelo desarmamento mundial e pelo fim da violência

14.11.2009 - 18:49 Por Lusa
Cerca de 500 pessoas marcharam hoje pela paz e pelo desarmamento mundial, ao som de rufos de tambores, músicos profissionais e outros de ocasião.
“O nosso clamor é para que parem as guerras, para que se faça um desarmamento nuclear a nível mundial. Outro objectivo desta marcha é criar uma consciência pela não-violência, uma nova forma de tratarmos os seres humanos e dos Estados entre si”, explicou à Lusa a responsável pela organização da participação portuguesa na Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência, Maria Mota.
Pelo desarmamento nuclear, pelo desarmamento convencional, por uma maior consciência individual, pela não-violência, centenas de pessoas marcharam esta tarde pela principal avenida da capital, animadas pelos tambores dos Tocá Rufar, pela música frenética e contagiante dos Kumpania Algazarra e pelos contributos musicais de outros participantes, menos afinados e coordenados, mas com igual boa vontade.
“Acho que a maior parte da população está descontente com a situação em que vivemos e há uma minoria muito pequena que neste momento manipula e que está interessada em que as guerras continuem", afirmou Maria Mota. "Na medida em que as pessoas ganhem consciência de que é preciso fazer alguma coisa, algo mudará”.
Portugal é um dos 103 países por onde passa a Marcha e é também aquele onde foram atravessadas mais cidades.
O percurso português começou dia 3 em Valença do Minho, seguindo-se Viana do Castelo e Braga, Famalicão, Porto, Aveiro, Vouzela, Viseu, Coimbra, Tavira, e terminou hoje em Lisboa.
Joaquim Francisco e Alice Ribeiro, na linha da frente das centenas que marcharam pela Avenida da Liberdade, não quiseram deixar de dar o seu contributo à causa.
“Acho que é um dever moral qualquer cidadão do mundo estar aqui pelo bem da paz. Deus queira que os ‘chefões’ que têm o poder nas mãos se abram mais à paz, distribuam melhor a riqueza por quem precisa, isso é que é necessário”, disse Joaquim Francisco.
“É importante acabar com o armamento nuclear. Nós vivemos ameaçados sem nos darmos conta. É importante sair à rua para dizer que isso é preciso acabar e é preciso acabar também com o armamento convencional. As guerras não são solução. As pessoas não podem desistir. De outra forma, nada vai mudar”, acrescentou Alice Ribeiro.
A marcha em Lisboa termina no Martim Moniz, onde até ao início da noite vai decorrer uma festa multicultural.
No final, uma delegação da equipa promotora portuguesa irá viajar até Toledo, em Espanha, para se encontrar com a equipa permanente que está a realizar o percurso mundial da Marcha e entregar simbolicamente a bandeira da Rota Galiza-Portugal, a gaita-de-foles construída para acompanhar esta Rota e que tocou em todas as cidades por onde a Marcha passou, e as ofertas que em cada cidade foram feitas à equipa promotora.
A Marcha Mundial, a primeira a percorrer todo o planeta, começou na Nova Zelândia, a 2 de Outubro, e terminará junto à cordilheira dos Andes, na localidade de Punta de Vacas, na Argentina, a 2 de Janeiro de 2010.

