CDS quer ministra no Parlamento para debater "reforma prática" no tratamento oncológico

30.06.2009 - 07:36 Por Lusa
O CDS-PP apelou à audição da ministra da Saúde ao Parlamento para debater a questão da oncologia em Portugal e defendeu a necessidade de uma "reforma prática" a nível nacional para o tratamento destas doenças.
O requerimento do CDS-PP que pede a audição de Ana Jorge será debatido e votado hoje na comissão parlamentar de Saúde.
Em declarações aos jornalistas, a deputada democrata-cristã Teresa Caeiro acusou Ana Jorge de "desvalorizar as insistências" do seu partido, frisando que a comissão parlamentar de Saúde vota hoje o "terceiro requerimento apresentado a pedir" a sua audição "para discutir o problema da oncologia em Portugal".
A dirigente centrista lembrou que em Março deste ano o seu partido apresentou ao Governo "um projecto de resolução para uma reforma prática da oncologia em Portugal, que passaria pela criação de uma rede de rastreios a nível nacional dos tipos de cancro mais frequentes", um "acompanhamento multidisciplinar desde o princípio até ao fim do tratamento" dos doentes e a criação de "centros de elevada diferenciação consoante as necessidades territoriais do país, que façam o diagnóstico", à semelhança do que já existe em Lisboa, Coimbra e Porto.
"Portugal não tem um levantamento feito da incidência e do tipo de cancro na população, essa informação não é centralizada, não é admissível que no século XXI o país não disponha de um mapeamento da incidência de uma doença tão grave como esta", referiu Teresa Caeiro, defendendo a existência de um "registo oncológico nacional".
Teresa Caeiro sublinhou que o projecto de resolução apresentado pelos centristas recomendava ao Governo a criação de uma "rede de referenciação" para que "o doente seja imediatamente encaminhado para uma unidade de saúde que o possa acompanhar do ponto de vista do diagnóstico, da cirurgia e do tratamento de uma forma célere", independemente da sua área de residência.
"Há mais de um ano, a 7 de Maio de 2008, chamámos à atenção para o facto de desde 2005 Portugal não ter um Plano Nacional de Prevenção e Acompanhamento das Doenças Oncológicas, voltámos a insistir em Junho, voltámos a insistir em Outubro, até que finalmente surgiu esse plano, isto é inaceitável considerando que está previsto que Portugal tenha como plano prioritário [para este tipo de doenças] no âmbito dos programas nacionais de saúde", afirmou a deputada do CDS-PP.
Caeiro citou ainda a "carta de princípios de Coimbra, foi subscrita pelo Colégio de especialidade de Oncologia Médica e de Radioterapia e pela Sociedade Portuguesa de Oncologia", que diz que os resultados no tratamento das doenças oncológicas "são sofríveis, que há tempos de espera excessivos" e "grandes assimetrias", bem como "demora no diagnóstico, na intervenção cirúrgica e para o início do tratamento, o que prejudica seriamente a recuperação do doente".

