Cavaco Silva: ordenamento deve preservar competitividade e desenvolvimento do Algarve

07.07.2006 - 17:10 Por Lusa
O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou hoje que o Protal (Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve), que está em discussão, deve conciliar-se com a preservação da "capacidade competitiva" e o desenvolvimento da região.
Ao falar das questões levantadas pelos autarcas algarvios durante a reunião de hoje de manhã, em Faro, Cavaco Silva adiantou que o Protal foi um dos pontos tratados, a par da REN (Reserva Ecológica Nacional) e do plano de ordenamento da costa.
"Falaram do Protal, da REN e do plano de ordenamento da costa, que estão neste momento em discussão. Penso que é preciso bom senso para não realizar aquilo que pode destruir a capacidade competitiva do Algarve em relação a outro destinos turísticos, mas também bom senso para não impedir que se realize o desenvolvimento da região", afirmou.
Cavaco Silva manifestou-se esperançado de que o "bom senso seja capaz de imperar no debate que está ainda a ocorrer entre as entidades que preparam o plano e aqueles que, conhecendo bem a região, queiram dar o contributo para melhorá-lo".
"Mas é preciso pensar que o Algarve, para ser um destino turístico sustentável, tem que preservar qualidades que o diferenciem de outros destinos turísticos, que hoje são muitos", frisou. Cavaco lembrou aos autarcas que, "em 150 países que fazem parte da Organização Mundial do Turismo, 120 consideram que o turismo é um vector estratégico e uma actividade económica prioritária".
"O Algarve, Portugal em geral, não pode competir nas mesmas vertentes que são apresentadas por outros países com preços muito mais baixos", insistiu, considerando que "houve uma mudança de atitude dos autarcas nos últimos 10 a 15 anos". Hoje "todos eles têm preocupações com a preservação do ambiente, qualidade ambiental, ordenamento, qualidade urbanística", concluiu.
Cavaco Silva sublinhou, porém, que "há uma diferença entre o litoral e alguns concelhos do interior, como Alcoutim, Monchique, Vila do Bispo", que estão em situação de crescente desertificação.
O Presidente da República indicou ainda que os autarcas expressaram a sua preocupação por o terceiro Quadro Comunitário de Apoio de 2007/2013 prever um corte de 75 por cento para o investimento na região. Por isso, devem cada vez mais trabalhar em conjunto.
"O Algarve tem que se preparar para o próximo QCA. E acho que eles têm de pensar em projectos conjuntos. É preciso um trabalho em conjunto de todos os autarcas para resolver alguns problemas que não são deste ou daquele, são do conjunto do Algarve, quer no abastecimento de água, quer na saúde", propôs o Presidente. Cavaco Silva precisou que os autarcas "falaram muito do problema da saúde" e está de acordo sobre a necessidade de a região dispor de "serviços de saúde de qualidade".
Ainda sobre o Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007/2013, o Presidente considerou que o corte de 75 por cento "resulta do facto de o Algarve se ter desenvolvido muito rapidamente nos últimos anos, tal como a Madeira".
"O nível de desenvolvimento do Algarve está ao nível da média ou acima da média nacional, ultrapassa as percentagens comunitárias para receber determinados tipos de apoio. Mas talvez no Algarve seja demasiado brusco o corte que agora se pretende fazer", defendeu. Cavaco Silva sublinhou, no entanto, que não sabe "quais são as possibilidades de, a nível comunitário, conseguir apoio diferente".

