O pai de Vanessa, a menina de cinco anos que morreu vítima de maus tratos, em Abril do ano passado, admitiu hoje, no Tribunal de S. João Novo, que levou o corpo da criança para o rio Douro.
"Deixei-o na beira do rio para toda a gente o ver. Nunca pretendi ocultar o corpo da minha filha", afirmou Paulo Pereira, 27 anos, durante a segunda sessão do julgamento, no Porto, naquele que foi o seu primeiro testemunho em tribunal.
Paulo Pereira tentou ainda incriminar o companheiro da sua irmã Sandra, mas não concretizou a acusação, afirmando apenas que Vanessa lhe terá dito que ele lhe batia.
A irmã mais nova de Paulo Pereira, Marta, que também depôs hoje, através de vídeo-conferência, afirmou que "ouviu o irmão dizer que o melhor era atirar o corpo ao rio".
Na primeira sessão do julgamento, marcada pelos depoimentos contraditórios dos arguidos Aurora Pereira, avó de Vanessa (49 anos), e Sandra Pereira, tia da menina (19 anos), a jovem incriminou a avó imputando-lhe a "principal responsabilidade pelas sevícias fatais".
De acordo com o Ministério Público, Vanessa Filipa, de cinco anos, foi sujeita a uma sucessão de maus tratos durante os cinco meses em que esteve à guarda do pai e da avó.
Os castigos violentos culminaram no dia 26 de Abril do ano passado, quando a menina foi obrigada pela avó a permanecer numa banheira com água a escaldar, descreve o Ministério Público. Daí resultaram queimaduras em 30 por cento do corpo de Vanessa, que viriam a revelar-se fatais, já que a avó e o pai não procuraram ajuda médica.
Vanessa Filipa morreu no dia 30 de Abril e o seu corpo foi atirado ao rio a 1 de Maio, ainda de acordo com o despacho de acusação
Os três familiares respondem por homicídio qualificado, profanação e ocultação de cadáver. A avó e o pai da menina vão ainda enfrentar acusações de maus tratos.


