Ouvida hoje noTribunal de Faro

Caso Joana: Médica que viu Leonor Cipriano diz que lesões não foram provocadas por queda nas escadas

04.11.2008 - 16:15 Por Lusa

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A médica afirmou hoje que as lesões de Leonor Cipriano não foram causadas por queda de escadas A médica afirmou hoje que as lesões de Leonor Cipriano não foram causadas por queda de escadas (Melanie Maps (arquivo))
A médica da prisão de Odemira admitiu hoje no Tribunal de Faro ter visto a 18 de Outubro de 2004 Leonor Cipriano com várias lesões na cara, peito, costas, braços e joelhos e que os ferimentos não eram fruto de uma queda nas escadas.

Irene Posalaky, médica psiquiatra e de clínica geral, foi a quinta testemunha ouvida no âmbito do caso das agressões a Leonor Cipriano e, na terceira sessão do julgamento, que arrancou hoje de manhã, afirmou que conheceu a assistente no processo a 18 de Outubro de 2004 e, na altura, apresentava várias lesões.

"Olhos vermelhos e inchados", "olho esquerdo fechado", "lesões superficiais no abdómen", "grandes hematomas nas costas e peitoral", "braço direito com edemas", "não conseguia falar" e "cortes em ambos os joelhos superficiais, mas simétricos" são algumas das lesões que a médica enumerou hoje no julgamento.

Segundo Irene Posalaky, que afirmou não ser "especialista em medicina legal", a maior parte das lesões que Leonor apresentava no corpo terão sido feitas com "objectos planos e não cortantes", porque abrangiam grandes superfícies.

Quando questionada pelo advogado de Leonor Ciprinao, a médica acrescentou que pelo menos os ferimentos nos joelhos - classificados como superficiais mas simétricos pela especialista - "nunca" poderiam ter sido fruto de uma queda em escadas.

Os advogados de defesa, por seu turno, pediram para a médica da prisão de Odemira explicar por que é que só pediu um raio-x aos joelhos passados 11 dias do dia 18 de Outubro de 2004, dia em "que não achou necessário" pedir aquele exame médico.

A médica disse simplesmente que os ferimentos eram superficiais e na altura não achou haver necessidade.

O advogado do arguido Gonçalo Amaral, António Cabrita, perguntou ainda a Irene Posalaky "quem é que tinha encomendado o relatório descriminado e com suporte fotográfico", ao que a médica respondeu que tinha sido por sua "vontade própria" elaborar o relatório meses depois das alegadas agressões.

"Percebi que o caso ia ter uma grande repercussão mediática e resolvi ordenar a informação toda", explicou ao tribunal de júri, constituído por três juízes de Direito e quatro jurados da sociedade civil.

O advogado de Leonor Cipriano, Marcos Aragão, admitiu hoje à Agência Lusa ter tentado um acordo com o advogado Pragal Colaço, representante de quatro dos cinco arguidos no processo, para pedir uma pena suspensa para os quatro arguidos, "desde que eles [os quatro] confessassem que a tortura a Leonor Cipriano foi mandada por Gonçalo Amaral".

"Abordei o Dr. Pragal Colaço sobre informações que o Dr. Paulo Cristóvão [um dos arguidos] confessou a um então amigo da Judiciária que tinha havido tortura a Leonor Cipriano quatro dias antes da confissão", disse.

A Lusa confrontou Pragal Colaço com esta tentativa de acordo, mas o causídico foi categórico: "Não confirmo, nem desminto. Não quero ter chatices", disse, acrescentando, no entanto, que se Marcos Aragão o autorizasse "por escrito" que falaria sobre o assunto.

Este processo das alegadas agressões a Leonor Cipriano por inspectores da PJ está relacionado com o denominado "caso Joana", que remonta a 12 de Setembro de 2004, dia em que a menina, de oito anos, desapareceu da aldeia de Figueira, Portimão, Algarve.

A mãe, Leonor Cipriano, e o tio, João Cipriano (ambos irmãos), estão condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça a 16 anos de prisão cada um, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver da criança.

As acusações do Ministério Público contra os inspectores da Judiciária surgiram na sequência dos interrogatórios na PJ de Faro.

Três inspectores são acusados de crime de tortura, um é acusado de não ter prestado auxílio e omissão de denúncia e um quinto é acusado de falsificação de documento.

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Está tudo tonto...

Alguém me explica como é que a confissão do crime pode ter sido "arrancada" através de tortura se a ...

Anónimo

05.11.2008 14:52

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