Caso Joana: Julgamento dos cinco inspectores da PJ por alegadas agressões começa hoje

27.10.2008 - 08:53 Por Lusa
O Tribunal de Faro inicia hoje o julgamento de cinco inspectores da Polícia Judiciária (PJ) envolvidos num processo relacionado com alegadas agressões a Leonor Cipriano, depois da primeira sessão ter sido adiada na sexta-feira passada.
O julgamento foi adiado três dias devido à morte de um familiar de um dos três juízes do tribunal de júri, por determinação do juiz Henrique Pavão, que informou na sala de audiências os cinco arguidos.
Os cinco inspectores e ex-inspectores da Judiciária vão ser julgados e condenados ou absolvidos por um tribunal de júri, composto por sete elementos: três juízes de Direito e quatro cidadãos portugueses escolhidos por sorteio nos cadernos eleitorais.
Os arguidos são acusados de estarem envolvidos num processo relacionado com alegadas agressões a Leonor Cipriano, no âmbito das investigações ao desaparecimento da sua própria filha, Joana Cipriano.
O denominado "caso Joana" remonta a 12 de Setembro de 2004, dia em que a menina, de oito anos, desapareceu da aldeia de Figueira, concelho de Portimão, Algarve, e cuja mãe, Leonor Cipriano, e o tio, João Cipriano (ambos irmãos), estão condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça a 16 anos de prisão cada um pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver da criança.
As acusações do Ministério Público contra os inspectores da Judiciária surgiram na sequência dos interrogatórios na PJ de Faro.
Três inspectores são acusados de crime de tortura, um é acusado de não ter prestado auxílio e omissão de denúncia e um quinto é acusado de falsificação de documento.
Três dos arguidos no processo são Pereira Cristóvão, que esteve ligado à captura dos "gangs" da CREL e Multibanco II e que escreveu o livro "A Estrela de Joana", Leonel Marques, que investigou casos de terrorismo como as FP25 e Brigadas Revolucionárias, e Paulo Marques Bom, um dos principais investigadores do "caso Passerelle".
Um quarto inspector, Nunes Cardoso, trabalhava no combate ao banditismo em Lisboa quando foi destacado para o "caso Joana".
O quinto arguido neste processo é Gonçalo Amaral, ex-coordenador do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PJ de Portimão e que coordenou inicialmente a investigação ao desaparecimento em Maio de 2007 da menina inglesa Madeleine McCann no Algarve, mas reformou-se, entretanto, da Judiciária.

